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Tabagismo é responsável por 8 em cada 10 mortes por câncer de pulmão

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Segundo câncer mais comum em homens no mundo e terceiro entre as mulheres, o câncer de pulmão é o mais associado ao tabagismo, mas ele está longe de ser o único. Leucemia mieloide aguda, assim como os cânceres de bexiga, pâncreas, fígado, colo do útero, esôfago, rim e ureter, bexiga, cavidade oral (boca), orofaringe (garganta), colorretal, dentre outros, também estão associados ao ato de fumar.

De acordo com um trabalho apresentado esse mês no 48º encontro do Group for Cancer Epidemiology and Registration in Latin Language Countries Annual Meeting (GRELL 2024, na sigla em inglês), na Suíça, o tabagismo responde por 80% das mortes por câncer de pulmão em homens e mulheres no Brasil. Além do câncer, o tabagismo também contribui para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, tuberculose, infecções respiratórias, úlcera gastrointestinal, impotência sexual, infertilidade em mulheres e homens, osteoporose, catarata, entre outras. As informações são do Instituto Nacional de Câncer (Inca).

 

Celebrado no próximo dia 31 de maio, o Dia Mundial sem Tabaco é uma iniciativa para apoiar instituições de todo o mundo no combate ao tabagismo, causador da morte de 1,8 milhão de pessoas por ano, de acordo com dados da Agência Internacional para Pesquisa do Câncer (IARC/OMC).

Conforme explica o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), Rodrigo Nascimento Pinheiro, cirurgião oncológico do Hospital de Base de Brasília, a grande maioria dos tipos de câncer está associada ao consumo do tabaco. Os tumores do aparelho digestivo, segundo Pinheiro, também despontam entre os relacionados com o fumo. “O controle do tabagismo é fundamental na prevenção primária, considerando que os três principais fatores de risco para câncer na humanidade são tabagismo, sedentarismo e obesidade.

Dentre esses, o tabagismo é tido como o carcinógeno perfeito, participando de várias etapas na formação das células e no desenvolvimento do câncer. E o combate ao uso do tabaco abrange desde a prevenção até a cessação do tabagismo em pacientes com câncer, recomendada como parte eficaz do tratamento”, ressalta o especialista.

O médico acrescenta que o cigarro não causa apenas câncer, mas também doenças respiratórias graves, além das cardiovasculares, abarcando um amplo espetro de condições que impactam a saúde de maneira significativa. Vale ressaltar que o uso do tabaco continua sendo líder global entre as causas de mortes evitáveis e um importante fator de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas como o câncer de pulmão, doenças cardiovasculares e diabetes.

O cigarro eletrônico

O cigarro eletrônico causa uma doença pulmonar grave e aguda, denominada Evali, que pode levar a óbito, além de ter outro problema adicional: a bateria desse cigarro explode e tem causado queimaduras graves em muitos fumantes. Eles foram apresentados pela indústria do tabaco como cigarros menos viciantes, se comparados com o cigarro comum, tendo como proposta ser uma alternativa ao tabagismo.

Porém, a inalação do produto não só é nociva, como estudos indicam que os vapes, como são conhecidos, podem entregar até vinte vezes mais nicotina do que o cigarro comum. Entre os principais riscos à saúde pelo uso dos dispositivos eletrônicos, estão o câncer de pulmão, infarto, AVC, além de doenças coronarianas graves.

No Brasil, a comercialização de cigarro eletrônico é proibida desde 2009. Em abril de 2024, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) manteve o veto ao produto e a SBCO celebrou a decisão. O Brasil é referência mundial no combate ao tabagismo e a posição mantém o país neste caminho, alinhado ao relatório da OMS. Um total de 150 países estão reduzindo com êxito o consumo de tabaco, conforme dados do relatório.

Os produtos de tabaco que não fazem fumaça também estão associados ou são fator de risco para o desenvolvimento de câncer de cabeça, pescoço, esôfago e pâncreas, assim como para inúmeras patologias buco-dentais. No Brasil, 443 pessoas morrem por dia em decorrência do tabagismo, além do valor de R$ 125.148 bilhões de custos no sistema de saúde e na economia por danos produzidos pelo cigarro, bem como as 161.853 mortes por ano que poderiam ter sido evitadas.

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