O inverno no Brasil é uma época que exige atenção redobrada com a saúde. A combinação de temperaturas mais baixas, ar seco e maior tempo em ambientes fechados cria um cenário propício para a proliferação de doenças respiratórias, tanto alérgicas quanto infecciosas.
Em São Paulo, as temperaturas podem chegar a 4ºC na próxima quarta-feira (25) devido a uma onda de frio. De acordo com o boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgado ontem (23), em 2025, já foram confirmados 52.853 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no país, causada por vírus como Influenza, Sars-cov 2, rinovírus, vírus sincicial respiratório, etc.
O clínico geral da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Thiago Piccirillo, explica que as baixas temperaturas, falta de luz natural e umidade baixa podem causar problemas respiratórios, aumentar a probabilidade de doenças e afetar a resistência ao estresse.
“A exposição ao ar frio e seco tende a irritar as mucosas do sistema respiratório, tornando-as mais vulneráveis à entrada de vírus e bactérias. Além dos fatores climáticos, alguns comportamentos comuns no inverno também contribuem para a disseminação de doenças respiratórias”, comenta ele.
Segundo o especialista, a permanência em ambientes fechados e pouco ventilados favorece a concentração de vírus e bactérias. Da mesma forma, aglomerações facilitam a transmissão de doenças de pessoa para pessoa.
“O relaxamento com medidas de higiene, como a menor frequência na lavagem das mãos e no uso de álcool em gel, aumenta o risco de contaminação. A baixa procura por vacinas, especialmente a da gripe, deixa a população mais suscetível a doenças”, reforça o clínico geral.
Medidas simples para se manter saudável no inverno
Confira dicas do médico sobre cuidados que podem gerar benefícios para a saúde durante a estação mais fria do ano:
- Invista na vitamina D: A exposição solar é imprescindível para a produção de vitamina D, essencial para a saúde óssea e imunológica. Como a exposição solar é menor no inverno, é importante conversar com seu médico sobre a necessidade de suplementação, seja por meio de alimentos ricos em vitamina D ou suplementos vitamínicos.
- Mantenha os ambientes arejados e se vista adequadamente: A baixa umidade do ar pode agravar problemas respiratórios. Mantenha a casa bem ventilada e, se necessário, use um umidificador. Um filtro de ar também pode ajudar a reduzir partículas no ambiente. Além disso, use roupas adequadas para o frio, e evite aglomerações em locais fechados.
- Mantenha-se ativo: A inatividade pode afetar a saúde física e mental. Tenha uma rotina de exercícios físicos, mesmo que leves, como caminhadas. Isso ajuda a manter a circulação sanguínea e fortalecer o corpo.
- Gerencie o estresse: O estresse compromete a imunidade. Pratique técnicas de relaxamento como meditação, respiração profunda e exercícios físicos para aliviar a tensão, especialmente se você passa muito tempo em ambientes fechados.
- Priorize a nutrição: Evite o excesso de alimentos gordurosos e calóricos. Mantenha uma dieta equilibrada com frutas, legumes, peixes e grãos integrais para fortalecer seu sistema imunológico.
- Hidrate-se constantemente: Mesmo com menos transpiração, o corpo precisa de água para regular a temperatura e proteger os órgãos. A água também ajuda a transportar nutrientes essenciais que fortalecem o corpo e previnem doenças. A hidratação adequada também previne o ressecamento da pele causado pelo ar seco do inverno.
- Proteja-se da gripe: A vacinação anual contra a gripe é fundamental. Adote hábitos de higiene, como lavar as mãos frequentemente com água e sabão ou uso do álcool em gel. Evite tocar olhos, nariz e boca, que são portas de entrada para vírus.
“Idosos e crianças são os grupos mais suscetíveis às doenças de inverno devido à fragilidade do sistema imunológico. Em idosos, doenças crônicas como diabetes, cardiopatias, doenças renais e câncer podem comprometer mais as defesas naturais do organismo, elevando o risco de infecções. Já em crianças, condições respiratórias crônicas, como a asma, aumentam a probabilidade de complicações em caso de infecções respiratórias”, finaliza o especialista.
Banhos quentes, falta de uso de hidratante e roupa de lã podem prejudicar a pele
De acordo com dermatologistas do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) de São Paulo, as baixas temperaturas e a pouca umidade da estação facilitam a perda de água e a diminuição da oleosidade do tecido cutâneo, o que prejudicam a barreira de proteção da pele, favorecendo o aparecimento de ressecamento, descamação e coceiras.
A água quente no banho diminui a oleosidade da pele, tornando-a menos hidratada no inverno, período em que a desidratação já é frequente. O uso excessivo de buchas rígidas e de sabonetes de limpeza também piora a saúde da pele porque danifica a barreira de proteção do tecido cutâneo.
O uso de roupas de lã em contato direto com a pele também pode causar irritação em pessoas mais sensíveis.
Quem convive com dermatite atópica, psoríase ou mesmo pele extremamente seca (xerose cutânea) está mais suscetível a problemas com desidratação e irritações na pele durante o inverno. Também sofrem com o ressecamento cutâneo durante as baixas temperaturas idosos, crianças e pessoas negras, pois possuem o tecido cutâneo naturalmente mais seco.
Para manter a pele saudável durante o inverno, o ideal é tomar banhos mornos de até 10 minutos com sabonetes neutros à base de glicerina. É recomendado ainda deixar as buchas de lado. Também é importante aplicar hidratante no corpo logo após se enxaguar para que seja mantida a umidade e a hidratação mais potente. São indicados hidratantes com ativos como ceramidas, manteigas vegetais ou ureia, que reforçam a oleosidade e a estrutura das células do tecido cutâneo.
O uso de óleos corporais não hidrata a pele ressecada. O produto tem como objetivo manter a umidade do próprio tecido, porém, caso esteja com pouca água, o quadro não vai ser revertido. O ideal é o uso combinado dos produtos com preferência por aqueles com ativos umectantes – que retêm a umidade – como glicerina, ureia ou ácido hialurônico. Essas substâncias reforçam a hidratação e a estrutura das células cutâneas.
A dermatologista do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) de São Paulo, Maria Augusta Pires Maciel, destaca que o ressecamento da pele não é apenas uma questão estética. “Quando a barreira cutânea está comprometida, a pele fica mais suscetível a infecções, alergias e inflamações. Além disso, pode agravar doenças pré-existentes. Por isso, os cuidados devem ser contínuos, não só no inverno. E se houver coceira intensa, vermelhidão, rachaduras ou dor, é fundamental procurar um dermatologista”, conclui a especialista, reforçando “que o protetor solar deve ser mantido todos os dias”.
*Com Informações da Agência SP e Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo

