A tradicional brincadeira de soltar pipas tem os seus perigos: além de expor as crianças a choques elétricos, quedas de lugares altos e acidentes nas vias pública, o uso do cerol e das linhas fabricadas com efeito cortante, como a chamada linha chilena, é o que mais preocupa o Corpo de Bombeiros.
Depois de um período, há cerca de dois anos, em que a GCM atuou com rigor contra grupos de adultos empinando pipas em vários locais de Guarulhos, é possível observar que atualmente essa prática nociva acontecer livremente por toda a cidade.
Basta circular por Guarulhos numa manhã de sábado ou de domingo, por exemplo, para ver grupos organizados e bem aparelhados, usando linha chilena, agindo livremente, sem que nenhuma autoridade tome qualquer providência.
Mesmo na região central, há locais preferidos pelos empinadores, alguns já idosos: Parque Cecap, próximo à Fatec e aos condomínios Alagoas e Sergipe; entre o Taboão e o Jardim Bela Vista, há alguns desses pontos de concentração: avenida Lauro Gusmão da Silveira, rua Chibata esquina com rua Pirajá Cirilo e, absurdo, dentro do terreno do Centro Esportivo João do Pulo, no Jardim Divinolândia, onde usuários empinam pipas com cortantes e ainda estacionam carros dentro da propriedade municipal, como se vê na foto em destaque, sem serem impedidos.
Perigos do cortante
A mistura de cola e vidro moído pode provocar cortes profundos e até matar, o mesmo acontecendo com as linhas fabricadas com cortantes. Quem corre mais esse risco são os motociclistas, pois as linhas podem facilmente atingir uma artéria do pescoço e causar uma fatalidade. Têm sido inúmeros os sinistros desse tipo registrados, incluindo mortes. Isto além dos danos causados à rede elétrica, que provocam interrupção no fornecimento de energia, prejudicando inúmeras famílias.
Várias matérias têm sido veiculadas no Click Guarulhos e em outros meios de comunicação sobre os prejuízos materiais e pessoais causadas por pipas empinadas com linhas cortantes:

O uso do cerol é proibido, de acordo com a Lei 7189/86, segundo a qual os responsáveis por menores que se envolverem em acidentes relacionados com o uso do cerol serão responsabilizados.
Cadê a fiscalização?
Sabe-se que as forças policiais têm muito trabalho e que situações como as tratadas aqui são consideradas de menor gravidade, na comparação com outros delitos a serem combatidos. Mas, havendo determinação superior, policiais que circulam com viaturas nas ruas podem e devem inibir essa prática nociva, o que pode evitar que sinistros e mortes ocorram.
Por outro lado, há estabelecimentos comercializando materiais proibidos sem serem incomodados pela fiscalização municipal. Se os que empinam pipas sabem onde estão esses lugares e a população as vê funcionando com porta aberta, por que os fiscais não veem?
Questionamentos nesse sentido serão enviados à Assessoria de Imprensa da Prefeitura: quantas apreensões têm havido? Quantos estabelecimentos irregulares que vendiam linha chilena foram fechados? Se houver resposta, postaremos.


