Em tensa reunião realizada na tarde desta sexta-feira, o Conselho de Patrimônio Histórico, Artístico, Ambiental e Cultural de Guarulhos resolveu, por 6 votos a 5, rejeitar a mudança de cor das grades do Recanto Municipal da Árvore, o popular Bosque Maia.
A assembleia extraordinária foi convocada pelo presidente do Conselho, Paulo Afonso Alves Sobrinho, após o ex-prefeito Elói Pietá ingressar com Ação Popular contestando a pintura das grades na cor amarela, sem que o Conselho tivesse sido consultado, tendo em vista que o Bosque é bem tombado, de acordo com a Lei Orgânica do Município.
O Conselho é formado paritariamente entre o poder público e representantes da sociedade civil. O colegiado resolveu determinar que as grades sejam novamente pintadas, restabelecendo a cor verde, que caracteriza o local desde que foi definido como parque, há mais de 50 anos.
O advogado Eduardo de Oliveira Luz Rodrigues, representante da OAB no Conselho e vice-presidente do colegiado, apresentou requerimento arguindo ilegalidade na convocação da assembleia extraordinária, porque o Artigo 26 do Regimento Interno determina que as convocações têm de ser feitas com no mínimo 15 dias de antecedência. Mesmo tendo sido convocada com apenas dois dias de antecedência, a maioria optou por dar sequência à Assembleia, com 6 votos a favor, dois contrários e duas abstenções.
Eduardo Luz também se posicionou contra a alteração de cor do gradil, com base em que a decisão foi tomada sem consulta ao Conselho, em descumprimento ao Artigo 29 da Lei Municipal 6573 de 2009.
Solicitaremos à Assessoria de Imprensa posicionamento da gestão municipal sobre a decisão do Conselho e quais providências serão tomadas em consequência.
PARECER TÉCNICO
Reproduzimos parecer técnico do arquiteto Roberto dos Santos Moreno, membro do Conselho, que foi aprovado por seis votos da sociedade civil. Além do parecer, foi aprovado posicionamento no sentido de requerer da Secretaria do Verde a paralisação da pintura e reposição da cor verde em todo o gradil.
CONSELHO DE PATRIMÔNIO HISTÓRICO, ARTÍSTICO, AMBIENTAL E CULTURAL DE GUARULHOS
PARECER
Vocação para o verde
Em 1962, o bosque fazia parte da então Fazenda Nossa Senhora da Conceição, que foi parcelada em loteamentos no seu entorno. Assim surgiram, no início da década de 1960, o Parque Renato Maia, a Cidade Maia, o Jardim Maia, o Jardim Santa Mena e o Jardim Maria Helena.
Para a aprovação dos projetos de loteamentos, o poder público exigia a doação de áreas de lazer e institucionais. Dessa forma a área do bosque foi incorporada ao patrimônio público.
O Plano Urbanístico de Guarulhos (PUG), elaborado pelo escritório do arquiteto Jorge Wilheim em 1969, incorporou no seu bojo a proposta paisagística para construir parques na cidade, como parques de vizinhança, parques municipais, parque regional e parques de serra. O bosque que mais tarde passou a ser chamado de Bosque Maia foi planejado para ser um parque municipal.
Proposto no PUG 1969 como parte de uma rede de parques municipais de vários níveis, recebeu a identificação de Bosque 17, situado ao longo do Ribeirão dos Cubas, com a finalidade de criar aberturas visuais na paisagem do centro da cidade com acesso para a planejada Via Expressa Norte-Sul, atual Avenida Paulo Faccini.
O bosque deverá ter, além dos equipamentos e instalações que proporcionam uma recreação de nível de bairro, uma característica mais própria, com a preservação e o remanejamento da mata existente, criando uma massa verde na estrutura rígida do atual centro. (PDDIG, 1969: 41).
O discurso do PUG iniciou sua transformação em prática em 1972, quando foi inaugurado o Parque Central (Bosque Maia), com obras da lanchonete (atual Viveiro Educador) e sanitários, projetados pelo arquiteto Lucio Grinover e entregue ao público em dezembro, mês de aniversário da fundação de Guarulhos.
Com a implantação de novos equipamentos no parque em 1980, no Dia das Crianças passou a ser denominado oficialmente Recanto Municipal da Árvore – mas a população continuou a chamá-lo de Bosque Maia.
Nos primeiros anos da década de 1990, foi construído em sua área o Centro de Educação Ambiental Arquiteta Virgínia Ranali, que foi sede do Escritório Regional Guarulhos da CETESB e em 2025, recuperou suas funções originais.
Em 2000 foi tombado como patrimônio histórico pelo decreto municipal nº 21.143 de 26 de dezembro. Desde então,
[…] não poderão ser demolidos, reformados ou pintados, nem sofrer acréscimos ou diminuições, bem como não poderão se prestar à fixação de anúncios e cartazes, sem prévia e expressa autorização da Secretaria de Cultura, através do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Arquitetônico e Paisagístico de Guarulhos.
(Art. 2º do Decreto nº 21.143 de 26 de dezembro de 2000)
Com a aprovação e sanção da Lei nº 6.573, de 19 de outubro de 2009, foi reforçada a função do Conselho de Patrimônio Histórico, Artístico, Ambiental e Cultural de Guarulhos:
Art. 29, Parágrafo Único. Caberá ao Conselho […] analisar e aprovar projetos e serviços de reparação, pintura ou restauração ou qualquer obra de intervenção nos bens imóveis e móveis tombados e de sua área de entorno.
Conclusão
I – Quanto ao registro. Abrir um processo administrativo para manifestação do CPHAACG, quanto à pintura do gradil de entorno do Bosque e Parque Maia, oficialmente Recanto Municipal da Árvore
II – Quanto à cor da tinta. Sua denominação original Parque Central remete ao verde, quando propõe a abertura visual da paisagem, se constituindo em uma massa verde na estrutura rígida do atual centro. A existência do bosque remete ao verde. Sua denominação oficial Recanto Municipal da Árvore remete ao verde.
Portanto, voto pela pintura na cor verde, seguindo a vocação desse espaço destinado a proteger a parte da Mata Atlântica que restou, a qual orientou o crescimento adequado da cidade para o vale e as colinas dos Cubas.
É o nosso parecer.
Guarulhos, 10 de outubro de 2025
Dr. Roberto dos Santos Moreno
ArqUrb CAU A2078-8
Conselheiro
Polêmica nas redes sociais: internautas atacam a idade do ex-prefeito
Na quarta-feira, 8/10, o Click Guarulhos postou a respeito da Ação Civil Pública movida pelo ex-prefeito Elói Pietá:
A postagem alcançou mais de 20 mil visualizações, e obteve cerca de 250 comentários nas redes sociais, notadamente no Instagram, sobre a atitude tomada por ele. Na imensa maioria, Pietá foi criticado, principalmente sob a alegação de que estaria agindo por despeito, em virtude de ter perdido a eleição de 2024 para Lucas Sanches.
Em boa parte dos comentários, Pietá foi atacado por ser idoso, incluindo falas ofensivas à sua moral. Acusaram-no, entre outras coisas, de nada ter feito pela cidade nos oito anos em que esteve à frente da Prefeitura, de ter roubado e ter enriquecido às custas do poder público.
Indagado se desejaria responder às acusações, o ex-prefeito disse preferir o silêncio, pois estaria falando com robôs digitais, já que tem convicção de que a maioria significativa dos comentários postados é fruto de uma ação orquestrada que visa calar quaisquer vozes que se ponham contra a atual gestão, embora admita que parte da população possa ter gostado da pintura na cor amarela, o que respeita. “As opiniões são livres. O que questiono é que a Lei não foi cumprida”, salientou. Disse estar absolutamente tranquilo quanto à sua lisura no trato com o dinheiro público e que chega a achar graça de terem escrito que ele está rico, pois mantém “o mesmo padrão de vida do tempo em que era vereador, no inicio da carreira política”. “Nem vale a pena entrar nesse mérito. Deve ter partido de gente muito mal informada a respeito da meu estilo de vida”, completou. Quanto às realizações de suas gestões, comentou que teria uma imensa lista de realizações a apresentar, como a construção da maioria das escolas municipais que a cidade tem, os CEUs, o Hospital Pimentas-Bonsucesso, o Teatro Adamastor e o viaduto Cidade de Guarulhos.
O Click Guarulhos, coerente com a linha editorial adotada desde os tempos do Jornal Olho Vivo, defende a liberdade de expressão, motivo pelo qual manteve os comentários postados, inclusive os ofensivos à própria equipe do portal, excluindo apenas alguns que continham palavrões.
“Posso não concordar com uma palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte vosso direito de dizê-las”. (frase de Evelyn Beatrice Hall, biógrafa de Voltaire, erroneamente atribuída a ele)

