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Por que a Prefeitura não responde?

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Tem sido hábito da Administração Municipal não responder a questionamentos enviados por veículos de comunicação que se pautam pela independência editorial. Notadamente a atual gestão mostra estar satisfeita com comunicadores que a bajulam e nada questionam.

Mantendo a linha que caracterizou o Jornal Olho Vivo por décadas, o portal Click Guarulhos coloca-se como porta-voz da população, independentemente de qual seja o partido de quem está no comando da Prefeitura. Nesse sentido, tem enviado questionamentos por meio da Assessoria de Imprensa a respeito de assuntos sugeridos pela população e, na maioria dos casos, não há respostas.

Seguem alguns exemplos de pautas que não foram respondidas:

Festa no Cecap

O caso mais recente é o do Fest Show, previsto para ser realizado no Parque Cecap, de 5 a 8 de dezembro, em área pertencente à CDHU, na qual consta que havia várias nascentes.
Enviamos estes questionamentos:

Qual o critério para escolha do local?
Quem responde pela questão do barulho durante a preparação do evento?
Quem responderá pela questão do barulho durante a festa?
Foi considerado que bem próximo do local há famílias morando, incluindo idosos e adoentados?
A quem pertence a área escolhida?
Qual o critério para escolha da empresa que fará o evento?
Qual o percentual de ingressos que serão vendidos e qual o percentual de ingressos solidários?
O que será feito com a estrutura após o evento?

Há autorização para suprimir vegetação e aterrar nascentes?

Ninguém respondeu.

Falta de leite em escola

Em 7 de novembro, solicitamos resposta da Secretaria de Educação a respeito de queixa de mãe de alunos da escola Bárbara Andrade Tenório, do Inocoop, segundo a qual o problema está se repetindo em outras EPGs: as crianças não receberam leite em outubro.

Ela relata que a direção da escola informou não haver previsão. Verificou o site da Prefeitura e consta o último fornecimento em 16 de setembro.

Ninguém respondeu.

Corte de árvores em área da Prefeitura

Em 26.10, reiteramos mensagem de 15.10, para a qual haviam respondido que estavam apurando, mas depois nada mais informaram:

Solicitamos resposta da Prefeitura sobre quem autorizou que administra o campo do CRB (entre a Rua Vicenzo Paciullo, 179 e o Condomínio Monte Verde, com acesso tb pela Avenida Alexandre Grandisoli, altura do nr 260) a cortar árvore do local.

Queixa da moradora que enviou fotos e vídeo: “Olha o diâmetro dessa árvore que foi cortada. Perguntei ao funcionário que executava o corte qual a razão de cortar tão drasticamente se aparentemente não oferecia riscos. Ele disse que só cumpria ordens”.

Uma das fotos mostra o diâmetro da árvore cortada. O vídeo mostra como era a árvore, inclusive abrigando árvores.

Segundo a reclamante, “a área é pública, mas o responsável pela escolinha de futebol se diz ‘responsável’ pela área. E segundo ele, em parceria com a PMG, no lugar do lago/nascente será feita uma quadra de areia.

Há amparo legal para suprimir uma nascente de água por uma quadra de areia?

Ninguém respondeu.

Liminar determinando repintura das grades do Bosque Maia

Em 26.10, solicitamos manifestação da Prefeitura sobre a liminar concedida pela 2a. Vara da Fazenda Pública em ação movida pelo ex-prefeito Elói Pietá, determinando repintura das grades do Bosque Maia na cor verde, às expensas do prefeito e do secretário do Verde.

Ninguém respondeu. Apesar da ordem judicial, as grades não foram repintadas.

Canalização do córrego dos Cubas e construção de muros

Reiteramos em 26.10, diversas mensagens anteriores nas quais solicitamos respostas a respeito da canalização do córrego dos Cubas e obras que estão acontecendo próximo às suas margens.

– Por que a placa da obra cita que a canalização iria até a avenida Salgado Filho e a obra parou perto da metade do percurso? A placa está errada? O que diz o contrato? O que foi pago?
– Serão construídas pistas ao lado do córrego, para desafogar o trânsito da confluência das avenidas Papa João XXIII e Paulo Faccini/Salgado Filho?

– Estão sendo construídos muros em terrenos cujos proprietários alegam estar buscando proteger os lotes contra invasores. Esses muros foram autorizados? A distância entre a margem do córrego e os muros obedece a legislação?
– Caso não obedeçam a legislação, quais providências estão sendo tomadas para impedir a continuidade da construção?

Ninguém respondeu.

Acessos próximos à avenida Guarulhos e Internacional Shopping

Em 9 de outubro, solicitamos encaminhar à Semob (Secretaria da Mobilidade Urbana, novo nome da Secretaria de Transporte e Mobilidade Urbana STMU) a sugestão abaixo, que ela fosse avaliada e nos dessem retorno a respeito.

Recebemos de uma internauta sugestão para que a Semob, depois da experiência da atual interdição de trecho da avenida Guarulhos, mantenha o fluxo de veículos que vem da Ponte Grande em direção à área central passando pela rua Genaro Vigorito e que seja implantada mão única na avenida Guarulhos desde a rua Machado até a esquina com a rua Genaro Vigorito.

Dessa forma, em vez de ter de transitar pela avenida Antonieta, rua Doze de Outubro e avenida Carlos Ferreira Endres, os motoristas poderão seguir direto pela avenida Guarulhos. Os veículos que estiverem na avenida Carlos Ferreira Endres e rua José Sarraceni e que se dirijam à região central poderão converter à esquerda na rua Genaro Vigorito.

Aproveitando o ensejo, reiteramos sugestão há tempos enviada à então STMU para que seja restabelecido acesso da rua José Saraceni para a rodovia Presidente Dutra, na lateral do Internacional Shopping. Para tal, basta remover alguns metros de um canteiro que impede atualmente a passagem de veículos no sentido de São Paulo, obrigando os motoristas a uma grande volta por dentro do bairro Itapegica. Inclusive linhas de ônibus poderiam se valer desse acesso, reduzindo tempo de viagem à Capital.

Ninguém respondeu.

Porém, observamos que a segunda sugestão, de remover parte do canteiro para dar acesso à via Dutra pela rua José Saraceni, foi posta em prática: já foi removido o canteiro e colocada pavimentação, faltando remover o impedimento de acesso da avenida Carlos Ferreira Endres à rua José Saraceni.

Pipas com linhas cortantes empinadas em área municipa

Em 3 de outubro, solicitamos posicionamento das secretarias de Esporte, Segurança Pública e Desenvolvimento Urbano sobre pauta que havíamos postado:

Usuários têm sido vistos empinando pipas com linhas cortantes dentro do Centro Esportivo João do Pulo, inclusive estacionando carros com os materiais, sem serem impedidos por ninguém da Administração.

Solicitamos informações da SSP quanto à GCM, se há orientação para abordar grupos que empinam pipas nas vias públicas. E da SDU quanto à fiscalização de estabelecimentos que vendem materiais proibidos.

Havendo resposta, editaremos a pauta original e postaremos nova matéria.

Ninguém respondeu.

Medição de área construída com imagens aéreas

Em 11 de setembro, questionamos sobre medição de área construída com imagens de satélite.

Chegam-nos reclamações de munícipes de vários bairros a respeito de notificações que estão recebendo referentes a supostas divergências de medidas de áreas construídas que teriam sido verificadas através de medição feita com imagens aéreas.

Segundo relatam, as imagens obtidas incluem meras coberturas de poços, telhados de vizinhos e até roupas estendidas em varais. E, portanto, a Prefeitura estaria querendo cobrar IPTU sobre áreas que não são efetivamente construídas.

Solicitamos informar quais providências os munícipes que discordam das medições apontadas devem tomar para não serem penalizados por expansões que não fizeram em seus imóveis.

No dia seguinte enviaram-nos esta mensagem: “Vamos apurar a demanda e responderemos assim que possível”. Mas a resposta nunca veio.

Avenida Joaquina de Jesus – Taboão

Em 21 de agosto, solicitamos obter dos setores responsáveis respostas a estes questionamentos, referentes ao Córrego Taboão, nas proximidades da estação Aeroporto da CPTM.

1) Quando serão retirados os detritos jogados no córrego? Quando chover, se não tiverem sido removidos, acabarão sendo carregados por dentro da tubulação para o rio Baquirivu, com o risco de entupir a passagem sob o terminal Taboão.

Não houve resposta, mas semanas depois foi providenciada a retirada dos detritos das águas do córrego.

2) Quando serão instalados cestos para coleta do lixo em todo o entorno da estação Aeroporto da CPTM e do Terminal Taboão, como forma de incentivar a população a não sujar as ruas?

3) Qual a possibilidade de construir mureta nas laterais e no final do córrego, como uma forma de evitar que outros detritos sejam atirados no córrego?

4) Diante da verificação de que há dezenas de veículos que fazem o retorno sobre o canteiro no final da avenida Joaquina de Jesus, a Secretaria de Mobilidade Urbana não acha mesmo necessário oficializar um retorno no local, facilitando a vida dos motoristas, que são obrigados a dar uma volta de quase 3 km em vez de trafegar apenas 800 metros? Caso opte-se por não atender a reivindicação, quais os argumentos técnicos para tal negativa?

Ninguém respondeu. O lixo continua sendo jogado nas margens do córrego e em frente a uma empresa da avenida Joaquina de Jesus. Carros têm sido multados por fazer o retorno sobre o canteiro.

Em outra mensagem, havíamos questionado sobre a falta de guarda-corpos ao longo do córrego do Taboão. Responderam que a obra fará parte da programação, sem definir data.

Área verde na avenida Dr. Carlos de Campos

Em 6 de maio, solicitamos posicionamento a respeito do corte de árvores ocorrido na véspera, na área que era uma praça, na avenida Dr. Carlos de Campos, Parque Renato Maia, terreno que foi permutado com a família Sakamoto na gestão anterior, em pagamento de terrenos utilizados para ampliar o trevo de Bonsucesso, e que, segundo apuramos, teria sido vendido ao empresário Marcelo Soares.
Ao menos um caminhão a serviço da Prefeitura, bem como pessoal, como comprovam fotos, foram utilizados para transporte das toras resultantes do corte das árvores do local. Moradores vizinhos, revoltados com o corte das árvores, relatam que os próprios profissionais que fizeram o corte disseram que seria possível remover as árvores com raiz, para serem plantadas em outro local, mas que a ordem que receberam foi de que fossem cortadas.

Solicitamos que sejam respondidas as seguintes questões, algumas das quais já haviam sido formuladas anteriormente e que não obtiveram respostas:

A quem pertence a área?
Quem autorizou o corte das árvores?|
Por que não foram removidas com raízes para serem transplantadas?
Por que, sendo área particular, houve emprego de caminhão e servidores da Prefeitura ou, ao menos, a serviço da Prefeitura?
Qual obra será ali realizada?
Há licença para tal?
Por que não há placa de engenheiro responsável?
Na área vizinha, ao lado do curso d’água que por ali passa, há perspectiva de construir acesso da avenida Dr. Carlos de Campos para a lateral do córrego dos Cubas, que está sendo retificado, para que venha a ser uma alternativa ao trânsito da avenida Papa João XXIII?

Silêncio total: parece assunto proibido.

Remoção de lixeira no Jardim Alvorada

Solicitação enviada em 25 de março:

Lixeira instalada em frente a uma residência na rua João de Souza, 191, esquina com rua Alvorada (antiga travessa Curupira), transformou-se em ponto viciado de despejo de todo tipo de detritos, incluindo móveis.

A lixeira foi instalada como medida emergencial para colocação de lixo de moradias das casas situadas na viela, que não eram atendidas pela coleta domiciliar. Porém, moradores de todo o bairro acabam usando o local indevidamente.

Proprietário da casa já pediu a remoção da lixeira em outubro de 2023. Tendo ido ao Fácil Bom Clima em janeiro de 2025, soube que só agora o pedido havia chegado à Secretaria de Serviços Públicos.

Ele deseja que seja demolida a lixeira e que sejam colocadas guia e sarjeta na lateral de seu terreno, considerando que paga IPTU pelo imóvel todo e não dispõe de calçada.

Para a coleta do lixo domiciliar das moradias situadas mais abaixo, se for o caso, poderia ser colocada uma caçamba removível.

O proprietário solicita, ainda, que, após a retirada da lixeira, haja fiscalização periódica para buscar flagrar quem deposita os resíduos no local.

Ninguém respondeu.

Estacionamento de ônibus no Jardim Santa Cecília

Em 18 de março, reiteramos mensagem de 4 de janeiro, com pedido de resposta da SDU a respeito de um estacionamento de ônibus situado na rua Nossa Senhora dos Remédios, 50, Jardim Testai/Jardim Santa Cecília, região do Cocaia.

Muro que separa esse imóvel do Condomínio Vale dos Pássaros contém rachaduras e há parecer técnico de que precisa, no mínimo, ser reforçado. Além de haver uma mina d’água no imóvel, cujo líquido escorre para o condomínio e pode ter causado infiltração no muro, aponta-se como causa o peso que o muro suporta, pois seria apenas de divisa e não de arrimo.

Indaga-se da SDU se há licença de funcionamento para esse ramo de atividade nesse local e se os proprietários do imóvel construíram muro para suportar o aterro e o peso dos veículos.

Na hipótese de não haver muro de arrimo, quais providências serão tomadas pela SDU?
Na hipótese de não haver licença de funcionamento, quais providências serão tomadas pela SDU?

Tendo em vista ser notória a ligação da família da vereadora Karina Soltur com a empresa ou cooperativa que utiliza o estacionamento, tentamos obter por intermédio da assessoria dela encaminhamento para uma solução. Porém, ela nega ter qualquer vínculo, ainda que haja no local veículos com identificação dela e de instituto social a ela ligado.

Silêncio total: parece assunto proibido.

Assoreamento de galerias na avenida Natália Zarif

Em 15 de fevereiro reiteramos pedido de respostas a diversas mensagens enviadas na gestão Guti e que nunca tiveram resposta.

Em 21 de maio de 2024, enviamos questionamento à SDU a respeito da atividade da empresa Eco-X, situada na avenida Natália Zarif, 2915, bairro do Taboão, em frente ao terminal intermunicipal de ônibus. No final de 2023, já havíamos postado matéria a respeito, depois de ter tentado obter resposta da Eco-X.

Resíduos do entulho ali processado escorrem para a sarjeta e entopem bueiros próximos, provocando enchentes, que prejudicam o trânsito e os pedestres e ciclistas, pois a água invade a calçada e não deixa alternativa às pessoas, que não seja andar na enxurrada.

Depois disso, a avenida recebeu nova pavimentação, houve realinhamento de guias e sarjetas, mas nada foi feito quanto à desobstrução das galerias que passam sob a avenida, nem quanto à mudança de comportamento da empresa.

As inundações no local continuam, como mostram novas fotografias que estamos anexando.
Solicitamos que a Prefeitura, pelos órgãos responsáveis pelas soluções, respondam:

1) A Eco-X foi notificada a tomar providências para que os resíduos de sua atividade não sejam mais carregados para a rua, dali para as galerias e das galerias para o rio Baquirivu?
2) Houve alguma penalidade aplicada à empresa?
3) Caso não tenham havido providências pela SDU, a nova gestão tomará alguma atitude?
4) O que será feito em relação à melhoria do escoamento das águas pluviais na região do Terminal Taboão?

Silêncio total. Parece assunto proibido. E isso desde a gestão Guti. Por que ninguém quer tocar nessa questão?

Perguntas continuam no ar

Atuo no Jornalismo de Guarulhos há 45 anos. Nunca fiz parte de nenhuma gestão municipal. Nem faço oposição às diversas gestões que passaram pela cidade. Nunca vinculei a linha editorial ao fato de ter ou não publicidade oficial. Aqui se exerce Jornalismo: não fazemos política. Respeitamos quem atua na Comunicação para fazer oposição, da mesma forma que respeitamos quem opta por aderir ao poder de plantão: cada um deve decidir o que fazer de sua profissão e de sua vida. Não cabe a mim opinar se são legítimas ou não as razões que os levam a agir de um modo ou de outro.

Enquanto eu tiver energia e condições para manter o portal Click Guarulhos, será esta a linha editorial: ser porta-voz da população, encaminhando as questões ao poder público, seja quem for que esteja no comando, haja ou não respostas.

Por que não respondem? Há assuntos proibidos? Temas delicados? Interesses que não podem ser contrariados? Ou é mera inoperância, para não dizer incapacidade?

Quando não respondem aos questionamentos que enviamos, não é a mim que faltam com respeito. Mas ao povo. A falta de respostas é desrespeito com cada contribuinte, que sustenta o que custa o prefeito, o que custa o vice-prefeito, o que custa cada vereador, cada secretário, cada comissionado e cada servidor público concursado. Todos são empregados do povo e devem respeito ao povo.

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