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Instagram: além dos retratos

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Por Talita Ramos

Com a popularidade dos smartphones e seus aplicativos, outro leque que passou a ser abordado de maneira abrangente por todos os usuários desses dispositivos foi o da fotografia digital. Enquanto antigamente as pessoas poupavam filme em suas câmeras analógicas, com os celulares, não há quem resista a fotografar desde selfies até o cardápio do dia. Com isso, muitas pessoas tornaram-se fotógrafos anônimos, alguns de mão cheia, principalmente após a criação do Instagram, rede social em forma de aplicativo gratuito, que permite criar uma conta, retratar e editar a imagem de um momento, além de fazer pequenos vídeos, para compartilhar com amigos, familiares ou quem quer que sejam os seguidores do perfil em questão. Os filtros disponíveis dão uma turbinada nas imagens e são grandes responsáveis pelo sucesso do app.
Criada pelo brasileiro Mike Krieger e seu sócio Kevin Systrom, inicialmente o Instagram era permitido apenas para o sistema IOS, mas hoje também pode ser baixado em Android e Windows. Devido ao sucesso que fez desde sua criação até hoje – tendo contas tanto de anônimos como famosos e veículos de comunicação, além de grandes marcas, o aplicativo foi vendido para o Facebook por cerca de um bilhão de dólares e sofreu algumas mudanças para não ficar para trás, uma vez que surgiram diversos concorrentes que servem apenas para a edição das imagens, com mais opções de filtros e alternativas de tornar uma fotografia melhor, como o VSCO Cam e o PhotoGrid.

Com a facilidade de tantas ferramentas, muita gente passou a fazer retratos, sendo que, para alguns, a atividade chega a ser um vício. “Uso o Instagram desde dezembro de 2011. Como gosto de fotografia e ele é uma rede social sobre isto, decidi usá-lo para tudo, desde postar uma foto bem produzida como também do prato de comida. Para edição de fotos, eu tenho dez aplicativos. Dois são para colocar texto na foto, o Over e o Typorama; cada um tem algumas fontes ou estilos diferentes do outro. Os outros oito são para fazer ajustes nas fotos, mas o que eu mais uso pra edição é o Snapseed, pois ele tem quase tudo o que eu preciso pra deixar uma imagem legal. Já para fotografar, eu gosto bastante do ProCam, pois ele permite alguns ajustes de câmera que o aplicativo nativo do iPhone não tem”,  conta o publicitário Thiago Tosetti. A jornalista Giulia Listo também adora a rede e usa mais de um aplicativo para publicar suas fotos. “Eu uso o PicsArt e o PhotoWonder, porque eles oferecem mais recursos que o editor padrão do celular e que os do próprio Instagram. Sei que o Photo Editor da Aviary também é bom, mas nunca usei”, conta.

Até fotógrafos profissionais renderam-se à rede social como forma de divulgar seus trabalhos e incentivam o avanço dos não-profissionais. “Eu não tenho nada contra, acho legal, dá pra brincar com a criatividade. Essa coisa de ‘ser fotógrafo’ é muito subjetivo. Eu acho legal todos terem uma câmera. Fotografia é uma terapia e a câmera fica entre o mundo e o fotógrafo, seja ele profissional ou amador. Acho que todos podem ser fotógrafos. Os celulares evoluíram e muito. Algumas fotos de iPhone me assustam, mas nunca chegarão perto de uma foto profissional. A mecânica de uma câmera profissional proporciona um universo de possibilidades que o celular não tem”, conta a fotógrafa profissional Joyce Cavichio, que não teme o fim de sua profissão, mesmo com a popularidade dos aplicativos. “As pessoas me contratam, pois tenho uma câmera profissional. Se as fotos de celular fossem tão perfeitas, ninguém mais me contrataria”, explica. “Acho que não é um aplicativo ou uma câmera de 40 megapixels que irá fazer da pessoa um fotógrafo e sim o olhar. Se a pessoa tiver um bom olhar e boas ideias, ela pode fazer boas fotos mesmo com um celular”, afirma Thiago. “Usem filtros, usem câmeras, usem celulares. Não deixem de registrar o que o mundo tem pra oferecer. A melhor parte da fotografia são as lembranças que ficam”, finaliza Joyce.

 

Veja mais sobre O mundo na palma da mão

 

Artigo retirado originalmente da Revista Guarulhos – Edição 105

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