Ao final de 2017, já se podia prever que os bons ventos voltariam a soprar no mercado imobiliário. O setor foi afetado pela crise político-econômica dos últimos anos; a perspectiva de que o volte a receber novos investimentos se torna mais concreta por conta de que esse é um dos principais motores da economia e da geração de novos empregos no País.

Essa é a visão do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de SP, pelas palavras de seu presidente, José Augusto Viana Neto. Segundo afirma, felizmente, essa não é uma visão somente do Creci-SP. “Têm sido frequentes as declarações de representantes de entidades da construção civil, demonstrando otimismo com a redução da inflação, o que, por consequência, atrai novos investidores às cadernetas de poupança, ampliando os recursos para o crédito imobiliário.

Segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), os financiamentos com recursos da poupança devem crescer em torno de 15% em 2018.
Some-se a isso a queda na taxa Selic, que registrou o menor índice histórico, ampliando as chances de taxas de juros também decrescentes para o financiamento de imóveis.
Com isso, segundo afirma Viana Neto, algumas construtoras já estão conseguindo manter seus calendários de lançamentos em dia, vislumbrando boas possibilidades para o segmento de novos empreendimentos. “E em termos de preços, pode-se apostar em uma estabilidade no mercado, acompanhando, muito provavelmente, os índices inflacionários”, diz.

O presidente do Creci-SP coloca algumas condições para que esse cenário se confirme: “É claro que o brasileiro ainda está cauteloso, já que a aquisição da casa própria é um investimento de longo prazo e que, mesmo com um cenário otimista, causa uma certa apreensão. E esse reaquecimento, sem dúvida, não virá a passos largos, como o de anos anteriores. Muitos fatores terão que ser levados em conta, como a possibilidade de uma redução na taxa de desemprego, a aprovação das reformas do governo e o cenário político que virá com as eleições”.

No Estado de São Paulo, segundo a Pesquisa do Creci-SP feita mensalmente com cerca de 1000 imobiliárias de 37 cidades, entre novembro de 2016 e novembro de 2017, tanto vendas quanto locações de imóveis residenciais usados registraram saldo positivo de 8,58% e 15,95%, respectivamente.

Os dados de novembro de 2017 relativos à Grande São Paulo, que inclui as cidades de Guarulhos, Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema e Osasco, mostraram que a maioria dos negócios fechados naquele mês foi feita à vista (53,13%). Os financiamentos imobiliários responderam por 40,63% das vendas realizadas.
“E se os bons ventos já sopram no Estado, na Grande SP a percepção dos corretores confirma essa sensação: 74,38% dos entrevistados pela pesquisa acreditam que o mercado apresenta condições melhores ou, no mínimo, estáveis”, informa Viana Neto.

Todos os imóveis negociados pelas imobiliárias consultadas em novembro de 2017 estavam situados em áreas centrais ou periféricas da região metropolitana de São Paulo, o que demonstra a opção por preços mais módicos do que os praticados em áreas nobres desses municípios. Em torno de 62,5% dos imóveis negociados não ultrapassaram o valor de R$ 300 mil. Em Guarulhos, o preço médio das casas e apartamentos negociados em novembro ficou entre R$ 100 mil e R$ 200 mil, com metro quadrado entre R$ 1,6 mil e R$ 4,1 mil, segundo o levantamento do Creci-SP.

“O mercado está reagindo e os corretores estão esperançosos. Estamos nos recuperando, de forma moderada, mas com a segurança de que o pior, sem dúvida, já passou”, conclui José Augusto Viana Neto.

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