O funcionalismo público municipal conta com apoio dos vereadores para que seja arquivado ou rejeitado o projeto do Executivo que cria o Regime Jurídico Único para a categoria.

Em nota oficial, o presidente do Legislativo, Prof. Jesus, afirma que os vereadores estão ao lado dos servidores e da população da cidade.

Aí é que a porca torce o rabo, porque parte da opinião pública é a favor das reivindicações dos servidores, mas outra parte entende que todo benefício concedido ao funcionalismo acaba sendo pago pelos contribuintes, que, em grande maioria, não recebem as mesmas benesses.

Um exemplo é o chamado artigo 115, pelo qual cada funcionário tem direito a faltar alguns dias por ano, sem precisar justificar a ausência. Esse direito, que a categoria considera adquirido e, portanto, imutável, decorreria do fato de 7 meses do ano terem 31 dias, e, que em determinada análise, o poder público só remunera 30 dias por mês. Quem trabalha na iniciativa privada não tem direito a um dia sequer para faltar injustificadamente. Daí, a repulsa que muitos têm com relação a essa conquista do setor público.

Hoje, quando aproximadamente 20 funcionários interromperam o fluxo de veículos em uma faixa da avenida Bom Clima, em frente ao Fácil, motoristas e transeuntes reclamavam, pois, não havendo grande aglomeração, os manifestantes poderiam perfeitamente ficar na calçada.

A categoria dos servidores é organizada e ruidosa. Comparece à Câmara Municipal e pressiona os vereadores a votar de acordo com o que deseja o funcionalismo.

Se os servidores são algumas dezenas de milhares e a população toda soma mais de 1,3 milhão de habitantes, ao votar a favor do que reivindicam os funcionários públicos, os vereadores podem desagradar boa parte do restante da população, que é expressiva maioria.

Os servidores ameaçam estampar nos postes as fotos dos vereadores que votarem contra o que eles querem. Resta saber se, para muitos eleitores, essa estratégia não terá efeito negativo.

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