Por Cris Marques
Fotos: Rafael Almeida
e banco de imagens

Ter medo é algo inerente aos animais, incluindo aí os seres humanos, e isso ajuda, inclusive, na autopreservação da espécie. Mas, quando ele toma conta da pessoa, impedindo que ela faça certas ações como dirigir, por exemplo, isso pode tornar-se um grande problema. Conduzir um automóvel é um comportamento corriqueiro e de grande importância na vida moderna, motivo pelo qual, todos os anos, milhares de CNHs são impressas só aqui no estado de São Paulo. Mas se a procura pela habilitação é grande, o número de pessoas que, depois de ter o documento em mãos, descobre não estar tão bem preparado assim, também é.

Estima-se que 8% da população geral mundial têm medo de dirigir e que essa fobia afeta mais as mulheres do que os homens: pode chegar a até 92% entre o público feminino. Em uma amostra brasileira, com 93 pessoas habilitadas, mas que não dirigem, 73% relataram que precisariam reaprender todos os comandos; 91,4% delas julgaram não ter boa noção de espaço e cerca de 90% afirmaram não saber estacionar, não conseguir dirigir em tráfego intenso e não saber dirigir sozinhas.

Daniel Bezerra Morais, consultor de vendas e gestor de qualidade da Liberdade para Dirigir, afirma que para trabalhar com esse medo é preciso entender seus motivos. “Hoje, no segmento aula para habilitado, nós temos dois extremos: as voltinhas no quarteirão e quem já quer colocar aquele indivíduo em uma rodovia; e nenhum dos dois vai dar certo, além de, seguramente, piorar o quadro emocional daquele aluno. Nossa visão de aula vai partir do entendimento sobre se aquele problema é comportamental, de ansiedade ou se surgiu por causa de um trauma sofrido ou um ensinamento mal gerenciado, porque nós não estamos falando mais daquele conceito do profissional entrar no veículo e ordenar ‘faz isso, faz aquilo’. A gente precisa direcionar o treinamento num âmbito de habilidade, mas que também tenha preocupação com segurança e autossuficiência, pra que essa pessoa, ao término do trabalho, sinta-se preparada para encarar o trânsito”.

 

Vencendo obstáculos

Para Daniel, apesar de existirem pessoas que passaram por traumas no trânsito e precisam de um trabalho direcionado com preparo emocional e orientação psicológica, a maior parte do problema é mesmo a falta de prática e, principalmente ansiedade. “A pessoa que entra no carro ansiosa vai liberar em seu organismo alguns hormônios, como cortisol e adrenalina, e isso vai mudar todo o seu comportamento físico. Quase sempre, ela terá uma aceleração cardíaca, que vai gerar uma respiração ofegante e suor excessivos, além de enrijecimento muscular e concentração totalmente focada no medo de errar. Cabe a gente criar um ambiente calmo e seguro, para que ela controle essa sensação e possa absorver as orientações, sem pensar em desistir, em fugir daquela situação. Afinal, não existe perder o medo de dirigir, sem dirigir”.

Na empresa, de portas abertas desde 2013, entender a pessoa e suas motivações é complementar ao treinamento. “Não temos interesse em vender nenhum tipo de serviço sem que antes o cliente conheça nosso trabalho; então, a primeira parte, depois do preenchimento de um formulário, é uma aula experimental”. Nessa etapa, existe uma abordagem diferenciada bastante interessante: o possível aluno utiliza essa ferramenta para avaliar se aquele produto é mesmo para ele e não o contrário, o que geraria expectativa e, possivelmente, mais medo ainda; e essa aula ainda dá meios para que o profissional consiga entender quais pontos precisam ser trabalhados. Paralela a isso, também existe uma avaliação com a psicóloga, que ajuda a entender o fator cognitivo daquela pessoa, a forma como ela aprende, o que dá condições adequadas para que o instrutor conduza o aluno de forma eficaz.

 

Mais que o básico

A professora Cicera Maria da Silva tirou sua habilitação em 2000, pois precisava se locomover do local onde morava até seu trabalho, mas acabou não colocando a ideia em prática. “Na autoescola, a gente só aprende o básico e acabei não treinando mais. Depois de um ano, comprei meu automóvel, mas não conseguia sair sozinha, não tinha habilidade e me sentia insegura; acabei vendendo ele, pois estava construindo minha casa. Fiquei muitos anos sem carro por causa disso e, ao ter um novamente, demorei pra ter coragem de pegar no volante outra vez”. Com a necessidade, ela procurou por um treinamento para habilitados e fez aulas durante uma semana, mas não conseguiu o resultado esperado. “Já havia perdido as esperanças quando conheci a Liberdade para Dirigir e decidi que aquela seria minha última tentativa, já que todas as outras não haviam funcionado. Precisava pelo menos ter coragem de sair sozinha, levar minha filha para a escola, me locomover por aí. Fui aos poucos… Marcamos umas 18 aulas e comecei a treinar. Ia observando no que estava errando, consertando, encarando o medo. Não é um processo simples, mas aos poucos fui aprendendo como lidar com aquela sensação e, hoje, me sinto muito feliz, pois consegui realizar o que parecia apenas um sonho”, destaca contente.

 

Liberdade para Dirigir
Avenida Emílio Ribas, 1.860
(em frente ao Hospital Padre Bento)
Tel.: 2421-3730
www.liberdadeparadirigir.com.br

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