Muito mais do que o cinza

Avenida Francisco Conde, Vila Galvão
 

Na selva de pedras das grandes metrópoles, a cor cinza predomina. O grafite é uma das poucas artes que ousa mergulhar nesse mar de grandes construções e tingir as paredes com vida, transformando a paisagem num ateliê de expressões culturais cheia de cores, formas e curvas a céu aberto.

Em Guarulhos, por exemplo, você irá encontrar grafites assinados por Gé IRC, que na verdade é Rogério dos Santos Correia, 33. Para ele, que vive dessa arte desde 2012, o grafite não é simplesmente um desenho na parede, mas um meio de expressar sentimentos e vivências. IRC também trampa como arte-educador na Fundação Casa e em projetos com a Secretaria da Educação da cidade. O grafite é uma de suas ferramentas para o ensino.
De vez em quando, você também vai trombar com os desenhos de Denis Leal Pereira, 30, ou simplesmente CHIS. Na produção de arte urbana desde 1999, Denis entende que o grafite é uma forma de interação, pois no interior de suas cores e curvas, há uma grande capacidade de atingir pessoas, sem distinção de raça, cor ou religião.

Denis é o organizador do Festival de Grafite em Guarulhos, que rolou em 2016 e reuniu cerca de 150 grafiteiros de todo o Brasil e alguns do Chile. Eles mostraram suas criações nas paredes da rua Francisco Pereira, Vila Galvão, no dia 18 de junho. O projeto teve apoio da Tintas Palmares e Colorin Arte Urbana. Ele já adiantou que, em 2017, o festival vai acontecer de novo, no mesmo mês. A expectativa é de que mais de 350 artistas participem.

A grafitagem deixou de ser crime quando a lei federal nº 176/2011 entrou em vigor, desde que seja “realizada com o objetivo de valorizar o patrimônio público e privado mediante manifestação artística com o consentimento dos seus proprietários”.

Curiosidade

O grafite, ligado a movimentos como Hip Hop, surgiu nos Estados Unidos na década de 1970, em Nova York. No Brasil, a cidade de São Paulo foi o grande berço dessa manifestação cultural, que apareceu em território tupiniquim no final dos anos 1970. Nessa época, o País sofria a repressão da censura imposta pelo governo ditatorial dos militares.

Serviço:

IRC
N 98528-6968

CHIS
N 96381-1211