Cemitério lança cartilha infantil sobre luto no dia de Finados

O grupo funerário Primaveras recebe cerca de 15 mil visitantes no feriado de Finados e prepara eventos abertos ao público de todas as idades. Este ano, as crianças vão ganhar uma cartilha especial sobre luto e amor, para aprenderem a lidar com as emoções que a perda nos traz. 

Especialmente elaborada pelos profissionais Centro de Psicologia Maiêutica, “Um papo com Leana” trata de assuntos como finitude de maneira lúdica. O livro será trabalhado com os pequenos durante as oficinas conduzidas por psicólogas ao longo do dia. Para o resto da família, missa e cerimônia de balões são parte da programação.
“Sabemos que as crianças pensam a morte e também vivem lutos. A cartilha “Papo sério com Leana” foi elaborada com a intenção de proporcionar um canal de expressão para as crianças receberem e buscarem informações, falando abertamente sobre a morte e questões relacionadas. O tabu é uma construção do adulto. A criança é capaz de aprender a tratar o assunto com naturalidade se nós não fizermos silêncio sobre ele. O silêncio torna ainda mais difícil para a criança, mesmo quando adulta, viver seus lutos de forma saudável”, afirma a psicóloga Ana Lucia Naletto, uma das responsáveis pela cartilha e oficina com as crianças.
Durante todo dia, as unidades Primaveras I e Primaveras II terão homenagens especiais, incluindo missa, cerimônia com balões e as oficinas infantis. Todas as atividades são gratuitas e acontecem mais de uma vez no dia, para que todos possam participar.

Finados no Primaveras – 02/11/2019

Primaveras I – Av. Otávio Braga de Mesquita, 3535, Guarulhos10h Missa e Oficina Infantil11h Cerimônia dos Balões16h Missa17h Cerimônia dos BalõesPrimaveras II – Av. Silvestre Pires de Freitas, 1579, Guarulhos11h Missa e Oficina Infantil12h Cerimônia dos Balões14h Missa16h Cerimônia dos Balões

Sobre o Primaveras

Fundado em 1972, em Guarulhos, o Primaveras é um dos principais grupos funerários do país. É formado por dois cemitérios parque, crematório, columbário, funerária, Plano de Assistência Funeral e Atendimento ao Enlutado. Em 2018, recebeu o prêmio Pursuit of Excellence, concedido pela NFDA (National Funeral Directors Association), dos Estados Unidos, em reconhecimento à qualidade dos serviços e atendimento ao cliente. Em 2019, ganhou o 1º lugar no Prêmio Destaque da Associação Comercial e Empresarial de Guarulhos na categoria empresa de grande porte.

Sobre a Cartilha

A cartilha foi elaborada como um recurso didático para falar e explorar com as crianças alguns temas tabus como morte e luto. Embora a cultura moderna se esquive de assuntos que tragam dor ou angústia, é sabido pelos estudos de Aberastury (1984) que as crianças percebem a morte, pensam sobre ela e precisam de espaços para expressarem suas hipóteses. A morte também faz parte do universo infantil. Atualmente as crianças não são incentivadas a participar do processo de morte e seus rituais. Segundo Paiva ( 2011) quem lida com criança deve ter a preocupação em falar de morte usando recursos lúdicos e a literatura é uma ferramenta que indiscutivelmente permite esse trabalho

As psicólogas que elaboraram essa cartilha (Ana Lúcia Naletto e Lélia de Faleiros) são especialistas no tema do luto e infância, e trabalham com crianças no setting cemiterial há cerca de 15 anos. Fazem grupo de apoio, treinamento para os colaboradores e em datas especiais fazem oficinas com as crianças para trabalhar o tema : perdas. Neste tempo de trabalho com crianças ocidentais em setting cemiterial, foi possível perceber que elas sabem pouco sobre a função de um cemitério e pouco sobre a morte, porque o assunto é concebido como tabu na nossa cultura, mesmo vindo de lares que permitem sua presença em um cemitério. Assim, as dúvidas da criança sobre a morte e o morrer acabam por permanecer ao longo da vida, interferindo negativamente em seus processos de luto.

Os profissionais se valeram dos estudos que apontam a literatura, o desenho e a expressão gráfica como bons recursos para trabalhar com crianças diversos temas. Pautaram na confecção de um material (cartilha) baseadas em suas práticas com crianças no setting cemiterial e em teóricos e estudiosos do desenvolvimento infantil e do luto na infância. Aberastury (1978), em seu livro La percepción de la muerte em los ninõs y otros escritos, afirma que o ocultamento da verdade sobre a morte pode perturbar o processo de luto da criança e consequentemente sua relação com o adulto.

Uma pesquisa importante de Koocher (1974) com 75 crianças, fazendo perguntas a respeito da morte  ficou evidenciado que a criança em cada estágio de seu desenvolvimento cognitivo levanta hipóteses e busca responder suas questões sobre  vida e morte . E neste estudo ficou evidenciado que as crianças que tiveram contato com a morte ou que tiveram espaços autorizados pelos adultos para discutirem esse tema apresentaram melhores elaboração desse conceito morte. Kovacs – (Educação para a morte)

As crianças , assim como os adultos deveriam pensar e falar sobre morte e luto. As pesquisas aqui citadas corroboram a importância de não omitir assuntos que a primeira vista possa parecer angustiantes.   

Aqui no Brasil, podemos citar a pesquisa de Torres (1979), no Rio de Janeiro com 183 crianças de 4 a 13 anos, onde foi estudada a relação entre o desenvolvimento cognitivo e a evolução do conceito de morte . A pesquisadora chegou aos mesmos achados que Koocher (1974), ou seja: em cada etapa do desenvolvimento infantil pode se encontrar uma hipótese sobre morte e morrer. Falar de morte com crianças deveria ser pauta de conversas em todo ambiente educacional (escola/família)