Coluna do Carleto – 01.02.2020

De volta à Câmara

O vereador Lamé Smeili (MDB) pediu exoneração do cargo de secretário de Direitos Humanos que vinha exercendo na Prefeitura e retomou seu mandato no Legislativo. Em seu lugar, assumiu Walid Mahmud Said Shuqair, que atuava na assessoria de Lamé.



Legado


Lamé considera de pleno êxito sua passagem pela Secretaria, que reúne diversas coordenadorias de atendimento a setores específicos da população, como idosos, mulheres, juventude e LGBT. Enquanto o termo “Direitos Humanos” é estigmatizado como algo negativo por muitas pessoas, ele faz questão de reforçar sua ligação com o que entende fundamental na Democracia. A realização do 2o. Fórum de Direitos Humanos e o início da elaboração do Plano Municipal de DH são, em seu entendimento, um marco histórico para a cidade.

Com Guti

A nomeação de Lamé para o secretariado de Guti visou atender pleito do então deputado Jorge Tadeu para que seu filho e xará pudesse assumir mandato de vereador. Com a volta de Lamé à Câmara, Jorginho Mudalen deixa o cargo. Na eleição de 2016, Lamé e o PMDB estavam ligados ao candidato do DEM, deputado federal Eli Corrêa Filho. Como a Secretaria de DH continua sob o domínio do MDB, presidido por Daniel Mourad e que tem Luiz Fanganiello como secretário, tudo indica que o partido caminhará com Guti na busca pela reeleição.

No páreo

O pré-candidato do Partido Novo à Prefeitura, o advogado e empresário Wilson Paiva, em entrevista ao programa Radar de Notícias, rechaçou comentários de que poderia não concorrer e demonstrou equilíbrio em suas respostas. Fez críticas à gestão do prefeito Guti, mas apontou como positiva a transferência do serviço de saneamento do Saae para a Sabesp. Indagado em qual campo da política enquadra o Novo, disse que na Direita, porém não radical. Se comparado com o PSDB, respondeu: “muito mais à Direita”.

Fora do páreo

A advogada Eliana Galvão, que se desfiliou do PMB (Partido da Mulher Brasileira), mostra-se desencantada com a política partidária predominante, que inclui conchavos e troca de apoios por cargos e benesses. Quer atuar nas lides comunitárias e de exercício da cidadania, mas sem concorrer a cargo eletivo.

Questão matemática

O jornalista Pedro Notaro opinou que quem não se sentir em condições de obter ao menos 3 mil votos não deve nem se candidatar a vereador neste ano. Como bem assinalaram alguns internautas nos comentários, se não houver uma legião de candidatos que tenham 50, 100, 200 votos, mesmo quem tiver 3 mil ou mais não se elege. Que o diga o ex-vereador Americano, atual secretário de Governo, que teve uns 6 mil votos, mas como o PHS não atingiu o quociente eleitoral, não foi eleito.


O que é o quociente?

Quociente eleitoral é o resultado da divisão do total de votos válidos pelo número de cadeiras em disputa. Portanto, são excluídas as ausências, os votos nulos e os votos em branco. Digamos que sejam 680 mil os votos válidos; o quociente seria 20 mil. Para que um partido eleja um vereador, a soma dos votos obtidos por todos os seus candidatos tem de chegar a 20 mil. Se tiver um voto a menos, o partido fica sem vereador, mesmo que o mais votado tenha conseguido, por exemplo, 10 mil votos. É cruel? Sim, mas é assim que funciona.

E se muita gente anular?

É falso que se mais da metade dos votos forem nulos a eleição seria anulada e teria de haver outra, com outros candidatos. Se houver uma enxurrada de votos nulos – e/ou brancos –, apenas cairá o quociente eleitoral, dando mais chance a um partido pequeno de eleger um vereador.

A vez do genro

Ao que parece, Americano ficará no secretariado de Guti e não se desincompatibilizará para ser candidato a vereador. A julgar pelas faixas que foram espalhadas na cidade no fim do ano, seu genro, Ticiano Neves é que tentará uma cadeira na Câmara, na expectativa de que sejam transferidos para ele os votos que seriam do sogro, além, é claro, dos que cogita obter por mérito próprio. Nos cargos que lhe têm sido confiados, costuma dar atenção aos munícipes. Pode não se eleger, mas vai dar trabalho.

Audiência pública sobre concessão da Dutra

Na quinta-feira, será realizada no Ciesp Guarulhos (rua Uruaçu, 100, Jardim Pinhal), audiência pública para discutir a nova concessão da Via Dutra e da Rio-Santos. A ANTT defende a cobrança de uma taxa eletrônica, proporcional ao trecho percorrido, na área urbana da rodovia Presidente Dutra, o que provocou reação de muitos, inclusive o deputado federal Alencar Santana (PT) e o prefeito Guti (PSB), que obteve do presidente Bolsonaro a garantia de que não será instituído um novo pedágio no âmbito da cidade.

Lá vem pedágio, mas…

Como o próprio presidente Bolsonaro disse, quando da questão envolvendo a criação de uma taxa sobre energia solar, a vontade do chefe do Executivo pode não prevalecer. O plano da ANTT é construir novos acessos à via expressa da Dutra e cobrar pelo uso dessa pista preferencial. Assim, mesmo que a taxa eletrônica venha a ser implantada, atingirá mais quem passa por Guarulhos do que os próprios guarulhenses. A preocupação com o reflexo nas tarifas de ônibus metropolitanos, por exemplo, deixa de existir, pois os veículos que trafegaram pelas pistas locais e laterais não serão atingidos.

Efeito colateral

O que pode, sim, acontecer é que muitos veículos que haveriam de trafegar na pista expressa passem para a local, aumentando os congestionamentos na ligação de Guarulhos com São Paulo e vice-versa.

Tudo pela causa

O deputado federal Eli Corrêa Filho (DEM-SP) pediu licença para tratar de assuntos particulares, por quatro meses, para possibilitar que um aliado do governador João Dória pudesse ser eleito líder da bancada do PSDB. Explica-se: em 2018, Eli foi eleito numa coligação com os tucanos e um deles ficou na primeira suplência. O candidato de Dória a líder estava em desvantagem. Com a licença do democrata, um tucano assumiu o mandato, com o compromisso de votar no preferido do governador, que apóia a pré-candidatura de Fran Corrêa à Prefeitura de Guarulhos.