Fundado em 31 de janeiro de 1981, Jornal Olho Vivo teria 39 anos, se ainda circulasse

Tendo a edição número 1 do Jornal Olho Vivo circulado em 31 de janeiro de 1981, ele teria completado 39 anos de existência se ainda estivesse em circulação. Transformado no Diário de Guarulhos em 2007, foi vendido em 2009 e deixou de ser editado em dezembro de 2014.

Fundado por mim e por Elisabetta Gallo, o Olho Vivo iniciou com edições mensais, passou a quinzenal, semanal, bissemanal e trissemanal. Visando fortalecê-lo para que pudesse chegar a diário, vendi metade das cotas em 2005 a Alexandre Polesi, jornalista experiente, que havia dirigido o Diário do Grande ABC.

Em 2007, o Olho Vivo passou a ser Diário de Guarulhos. A nova estrutura exigiu investimento contínuo, o que ampliou o endividamento. No início de 2009, como não tinha capital para injetar na empresa, eu preferi sair da sociedade, passando a editar apenas revistas.

O DG não conseguiu firmar-se financeiramente, deixou de circular e a marca Olho Vivo foi penhorada em uma ação trabalhista.

A população ainda sente falta do combativo tablóide e reclama seu retorno, mas eu não vejo viabilidade econômica para relançar o jornal, a não ser que resolvesse me atrelar a algum grupo político, o que rejeito.

Entendo que o portal de notícias Click Guarulhos mantém, na forma digital, as características de independência que notabilizaram o Olho Vivo e está sempre a serviço da população, por mais que seja difícil manter uma pequena empresa no Brasil. As revistas Weekend e RG têm sido editadas em datas específicas, com tiragens absolutamente reais de 13 mil e 8 mil exemplares, respectivamente, buscando oferecer publicações de qualidade às pessoas que não abrem mão da leitura em papel e, ao mesmo tempo, propiciando ao comércio local uma alternativa eficiente e econômica de comunicação com seu público-alvo.

Esporadicamente, publicamos o jornal Megacidade, sob demanda de anunciantes interessados em distribuição nos cruzamentos da principais avenidas ou porta a porta, cumprindo rigorosamente a legislação municipal.

Com tudo isso, busco perenizar o legado do Jornal Olho Vivo e tudo que ele representou para a população guarulhense, todos os embates que ele protagonizou, diante das sucessivas administrações pelas quais a cidade passou, de diversos partidos, respondendo ao longo desses anos por inúmeros processos por supostos delitos de opinião ou do exercício do Jornalismo, alguns dos quais têm nos penalizado financeiramente, por mais que procuremos respeitar as leis e os direitos das pessoas e das instituições. Há decisões judiciais que considero injustas, desproporcionais, mas resta-me acatá-las e cumpri-las.

Certamente eu poderia estar em uma confortável situação financeira, mas faço questão de exercer o Jornalismo em sua plenitude, ainda que tenha de exercer as mais variadas funções na empresa, com uma estrutura bastante enxuta. Parte preponderante dos contatos comerciais são feitos por mim mesmo e é uma tarefa de que gosto muito. Sou bem recebido em todas as visitas que faço, graças à história que construí ao longo desses 39 anos, o que significa muito mais do que o conforto material de que eu poderia desfrutar, se tivesse agido de outra forma. Andar de cabeça erguida e com a consciência tranquila é o que mais prezo.

Acervo do Olho Vivo

As pessoas me perguntam sobre o acervo do Jornal Olho Vivo. Enquanto estive na direção, até março de 2009, cuidei de manter encadernada toda a coleção e de guardá-la com todo zelo. Porém, ao deixar a empresa tudo ficou com a nova direção. Já fiz inúmeros apelos a Polesi para que doe a coleção do jornal a uma biblioteca da cidade, a uma universidade, museu, Arquivo Histórico ou outro local. Lamentavelmente, esse que considero um patrimônio da população de Guarulhos e mereceria estar à disposição de todos, continua em lugar incerto, se é que não foi destruído.

“Um abraço pro Fábio”

Não passa um dia sem que alguém envie por mim um abraço para meu filho Fábio, que ombreou comigo durante muitos anos a direção dos veículos de comunicação. Ele passou a dedicar-se a outras atividades, como consultor de empresas e coach, nas quais vem alcançando pleno êxito, tendo conquistado uma ampla rede de relacionamentos, como profissional admirado e respeitado. Apraz-me saber que nos contatos que ele faz, também são muitos os abraços que me enviam por intermédio dele.

Gratidão

Sou muito grato a todos pela forma carinhosa com que me acolhem e, particularmente, aos anunciantes que nos prestigiam, seja no Click, na Weekend, na RG ou no Megacidade.
Sou igualmente grato a Guarulhos, que escolhi como minha cidade há 45 anos, tendo sido reconhecido como “Cidadão Guarulhense”, o que muito me envaidece.
O jornal não circula mais há muitos anos, mas permaneço “de Olho Vivo”.

Valdir Carleto