Aumentam os casos de feminicídio e de violência contra a mulher

Ministra Damaris fala em solenidade do dia do enfrentamento à violência contra a mulher - Foto: Marcos Corrêa/PR
 

As estatísticas mostram e os fatos dos dias recentes comprovam: estão aumentando consideravelmente os casos de feminicídio e de violência contra mulheres.

A rigor, deveria estar acontecendo o contrário, porque nunca houve tantos preceitos legais e mecanismos de controle para proteger as mulheres.

Assisti hoje ao programa “Cidade Alerta”, buscando obter informações acerca do desaparecimento de Mariza dos Anjos, de quem não se sabe o paradeiro desde o dia 10. Ela estava noiva de Cléber Juventino Aparecido, que reside em Guarulhos e também está desaparecido e é apontado como suspeito pelo sumiço dela, pois foi visto com ela na noite do dia 10, numa boate no Centro de Guarulhos; saiu e voltou sozinho depois. Há testemunhos de comportamento violento por parte dele e até de supostos assassinatos com ocultação de cadáveres.

Nada foi dito a respeito de Mariza na edição deste sábado, mas fiquei impressionado com quantos casos de feminicídio e de violência contra mulheres foram relatados no programa.

Alguns casos, como o de um autor que foi encontrado morto na cela da prisão, são assustadores. Depois de matar a namorada a pauladas, levar o corpo e incendiá-lo a 50 km de distância, o assassino teve o descaramento de ir a um shopping com a ex-esposa e os filhos, utilizando o carro da vítima.

Foram mostrados casos de surras que ex-maridos deram nas ex-companheiras, que só foram salvas por terem sido socorridas.

Mas, afinal, o que está acontecendo? Será porque nunca se usou tantas drogas e bebidas alcoólicas quanto atualmente e os homens perdem o controle sob domínio dessas substâncias? Será porque as mulheres cada vez mais ocupam posições importantes, estão mais emancipadas e há homens que não aceitam essa evolução? Será que está havendo um súbito sentimento de que as mulheres não mais merecem ser respeitadas, na esteira de um discurso machista, xenófobo e homofóbico que tomou conta de parcela considerável da população? Será reação em cadeia, de homens covardes, querendo imitar atitudes absurdas que veem no noticiário, nas novelas, nos filmes e séries?

Afinal, os seres humanos estão evoluindo ou retrocedendo? Em vez de nos tornarmos seres mais harmônicos, pacíficos, estamos ficando mais bélicos e ignorantes?

Que história é essa de matar por não aceitar o fim de uma relação? De agredir, ainda que moralmente? Ninguém é dono de ninguém. As pessoas têm o direito de escolher o que entendem ser melhor para elas.

Cenas como as que têm sido mostradas e casos como esses que têm vindo à tona precisam merecer de toda a sociedade o maior repúdio. As mães e os pais devem ensinar aos filhos desde a mais tenra idade a importância de respeitar as pessoas, sejam mulheres, homens, homossexuais, negros, índios, estrangeiros. Nada disso importa! Respeito, dignidade, todos merecem. As escolas precisam insistir nisso, reforçando os ensinamentos que as crianças e jovens devem receber em casa.

E vale um alerta às mulheres, principalmente as jovens, menos experientes: cuidado com a lábia dos homens que as cortejam. Procurem saber quem são de fato, como se comportam, como agiam em relacionamentos anteriores, se têm antecedentes criminais… Como uma mulher pode permitir apaixonar-se por um homem que já tem contra si uma ordem judicial para não se aproximar da ex? Se ele praticou violência com a ex, certamente irá praticar também com a nova namorada.

Só uma corrente ampla, que envolva toda a sociedade, a começar pelas entidades organizadas e os poderes públicos, que conscientize crianças, jovens e adultos, trará efeitos positivos e duradouros.

Valdir Carleto