Veja as regras para autistas usarem ônibus sem máscaras

 

Conforme havia anunciado na noite de quarta-feira (13), o prefeito Guti assinou o decreto que libera portadores de autismo do uso de máscaras dentro do transporte público. A medida, que passou a vigorar a partir da publicação do decreto, no início da noite de sexta-feira (15), visa a atender pedidos de muitos pais que estavam tendo dificuldades em levar os filhos para o tratamento clínico, pois estes se mostravam resistentes com relação ao uso das máscaras.

O prefeito explicou, no dia 13, que os pais deverão portar a carteira ou laudo médico que comprove que a criança é autista. “Entendemos que muitos estão tendo dificuldades em enfrentar esse tipo de problema e, por tal motivo, resolvemos optar pela flexibilização”, disse Guti.

O decreto 36.852/2020 determina que, com a finalidade de garantir a saúde pública e criar hábitos de proteção individual, respeitando as particularidades das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), elas ficam desobrigadas da utilização de máscaras de proteção, descartáveis ou confeccionadas em tecido, nos serviços de transporte de passageiros públicos ou privados, mediante a apresentação, no embarque, de um dos seguintes documentos:

I – Laudo médico que ateste o diagnóstico de TEA – CID F84;

II – Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista – CIPTEA;

III – Carteira de Instituição que comprove o diagnóstico de TEA – CID F84.

Entidade explica razões do pedido feito à Prefeitura

O Ciaag – Inclusão e Apoio ao Autista de Guarulhos é a primeira instituição do município, sem fins lucrativos, e totalmente dedicada ao atendimento e desenvolvimento do autista. Fundada em 26 de setembro de 2010 e, portanto, com 10 anos de atuação, atualmente atende 100 crianças e adolescentes, proporcionando um ambiente que estimula as habilidades as quais os autistas apresentam maior dificuldade como interação, linguagem e padrões restritos de interesse e comportamento, além de apoio pedagógico, atividades física e de vida diária, recreação e música.

O decreto assinado pelo prefeito Guti, permitindo que o autista de Guarulhos possa utilizar o transporte público – ônibus, táxi, ou carro de aplicativo – sem a máscara facial, enquanto estiver em vigor a quarentena para conter o avanço da Covid-19, de acordo com o decreto nº 36.852/20, é uma conquista do Ciaag.

”Agradecemos ao prefeito Guti por nos apoiar nesse momento e compreender as razões que nos levaram a fazer esse pedido. É uma medida preventiva para o caso de uma situação de emergência, das famílias que não possuem carro próprio precisarem levar seus filhos ao hospital, por exemplo, visto que no decreto anterior, os autistas sem máscaras eram impedidos de embarcar”, afirma Alexandra Oniki, presidente da instituição.

Segundo ela, desde o início da pandemia e das recomendações do Ministério de Saúde e da Prefeitura de Guarulhos, o Ciaag está conscientizando as famílias a respeito das regras de higienização das mãos e distanciamento. Pais e responsáveis estão conscientes da importância do isolamento neste momento. A iniciativa de pleitear essa ressalva para os autistas visa ajudar as famílias a lidarem com as mudanças impostas pelo isolamento social.

“Continuamos a incentivá-los a não sair de casa, disponibilizamos um treinamento online (faz parte do nosso projeto digital) para que aprendam em seus lares como usar a máscara facial. O tempo de aprendizado do autista é imprevisível, alguns podem demorar dias; outros, meses ou podem não aprender a usar o equipamento de proteção individual. Assim, merecem atenção e cuidados especiais dos pais e do Ciaag”, esclarece.

A entidade informa que cerca de 90% da população autista possui disfunção ou alteração sensorial que resultam em hipersensibilidade ou hipossensibilidade ao toque, à textura e cheiros, sons, etc. “A pessoa com TEA – Transtorno do Espectro Autista tem algumas particularidades de comportamento que precisam ser levadas em conta e, no caso do uso de máscara facial, percebemos a dificuldade deles em colocar e permanecer com ela no rosto. A aceitação do uso da máscara pelo autista requer muito treinamento e o aprendizado não será adquirido de um dia para o outro”, comenta Alexandra.