Sindicato ameaça greve de ônibus em Guarulhos caso trabalhadores não sejam incluídos em vacinação

 

Motoristas e cobradores de ônibus de Guarulhos e da cidade de São Paulo planejam paralisação a partir das 0h desta terça-feira, 20 de abril, com duração de ao menos 24h, reivindicando um posicionamento do governo estadual sobre a vacinação contra a Covid-19 dos profissionais da área que se dizem expostos à doença, já que o transporte público não parou desde o início da pandemia.

Além dos coletivos, profissionais CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) podem cruzar os braços no próximo dia 27, por tempo indeterminado, segundo o sindicato dos ferroviários de São Paulo. A categoria reivindica, além da vacinação, reajuste salarial e participação nos lucros.

Metrô terá assembleia para decidir

Já os trabalhadores do metrô participam de uma assembleia virtual, a partir das 19h desta segunda, quando vão definir se aderem à paralisação juntamente com o transporte rodoviário e a CPTM. No sábado, o governo João Doria (PSDB) enviou um e-mail para as categorias afirmando que trabalhadores do metrô e da CPTM serão vacinados contra a Covid-19 em São Paulo a partir do próximo dia 11 de maio.

Segundo o Sindmotoristas, que representa motoristas e cobradores de ônibus em São Paulo, a greve, chamada por eles de “lockdown do sistema de transporte”, já está definida para a 0h desta terça-feira.

O presidente do Sincoverg (Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Guarulhos), Orlando Maurício Júnior, Brinquinho, afirmou ao Agora, no início da tarde desta segunda, que os motoristas e trabalhadores da segunda maior cidade de São Paulo também irão aderir à paralisação. A decisão pela greve só pode mudar, acrescentou o sindicalista, caso o governo estadual anuncie alguma mudança em seu plano de imunização. “A vacinação é uma necessidade urgente, não só para trabalhadores e trabalhadoras do transporte urbano e metropolitano, como também para garantir a vida dos passageiros e passageiras. Assim como sofremos com infecções e mortes [decorrentes da Covid-19], podemos contaminar muita gente”, afirmou o presidente do Sincoverg.

Em suas redes sociais, o Sincoverg publicou a seguinte nota:

19 de abril de 2021

Por condutores

Se o governo não vacinar, vamos parar já! A vacinação dos trabalhadores do transporte público tem sido uma reivindicação permanente do sindicato e tem sido feita em todas as esferas de governo.

Juntamente com outros sindicatos, federações e confederações do setor, estabeleceu prazo até dia 20 para uma resposta sobre a inclusão da categoria no grupo prioritário para a vacinação.

Se não houver uma decisão satisfatória, não resta alternativa senão fazer uma paralisação, uma GREVE SANITÁRIA, um lockdown do transporte público, em todo o Estado.

Nós atuamos na linha de frente da Covid, e não paramos um só momento durante toda a pandemia. Estamos muito expostos à contaminação, pois temos contato com inúmeros passageiros diariamente nos ônibus.

Apesar disso, o Governo do Estado decidiu incluir no grupo prioritário da vacinação apenas os profissionais que atuam no transporte sobre trilhos, da CPTM e do Metrô, até mesmo os terceirizados. Sendo que a maioria atua em isolamento, dentro de cabines.

Diante desse descaso com os trabalhadores do transporte rodoviário, vamos parar para fazer valer nosso direito, em defesa da vida dos trabalhadores e de suas famílias.

No dia 31 de março, o Sincoverg entregou pedido ao prefeito Guti para incluir a categoria como prioritário na vacinação contra a Covid.

Contaminação

Relatório da administração do Metrô divulgado na última semana mostra que embora a pandemia tenha tirado passageiros nos primeiros meses da chegada do vírus ao Brasil, foram feitas quase 3 bilhões de viagens nos transportes públicos que passam pela capital, entre metrô (764 milhões), CPTM (505 milhões) e ônibus municipais (1,6 bilhão). Segundo os sindicatos de cada categoria, foram registradas 22 mortes e 1.500 contaminações de funcionários do metrô, quase 50 mortes na CPTM, e 167 mortes, além de 2.084 infecções, entre motoristas e cobradores de ônibus na capital. Dados do governo estadual, gestão João Doria (PSDB), indicavam, até a publicação desta reportagem, que 1.714,685 pessoas haviam tomado a primeira dose da vacina contra a Covid-19 na capital paulista e 924.599 a segunda. Em Guarulhos haviam sido imunizados, respectivamente, 106.209 e 56.842.

Segundo informações publicadas pelo Agora, a prefeitura de Guarulhos afirmou não ter sido avisada sobre a greve dos motoristas e cobradores. “Essa informação tem de chegar de forma oficial 72 horas antes, como determina a lei”, diz trecho da nota.

Sobre a vacinação dos trabalhadores dos ônibus municipais, o governo municipal afirmou que essa decisão depende de eventual “alteração dos grupos prioritários”, o que pode ser feito pelo governo estadual.

Até o momento da publicação da reportagem de Alfredo Henrique, a Prefeitura de São Paulo não havia se manifestado.

RESPOSTA DO SINDICATO DAS EMPRESAS DE ÔNIBUS

Greve – Comunicado à população de Guarulhos

O Guaruset (Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos e Metropolitanos de Passageiros de Guarulhos e Arujá) informa a população sobre a possibilidade de paralisação geral no sistema de transporte por ônibus da região nesta terça-feira, dia 20 de abril. O Sincoverg (Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários no Transporte de Passageiros, Urbano, Suburbano, Metropolitano, Intermunicipal e Cargas Próprias) deflagrou uma Greve Sanitária na última sexta-feira, dia 16.04.  

Embora, reconhecendo a gravidade do momento e a exposição dos profissionais representados por esta entidade ao Covid-19, o Guaruset não tem poupado esforços em adotar todas as medidas e protocolos sanitários possíveis para proteger e dar segurança aos empregados das empresas que representa. A população, neste momento tão doloroso, não pode ser, mais uma vez, penalizada e utilizada como instrumento em uma greve meramente política, cujo objetivo é pressionar o Poder Público a priorizar a imunização dos trabalhadores da mobilidade urbana no Plano Nacional de Vacinação.  

O Guaruset reforça seu compromisso com a população de buscar, por todos os meios cabíveis, minimizar os impactos dessa possível paralisação no serviço de transporte da cidade de Guarulhos e região metropolitana. A entidade reforça ainda seu compromisso de buscar, junto com a categoria, a concretização desse objetivo, buscando o diálogo e as negociações com o Poder Público.