SP tem queda de mortes por Covid-19 pela 1ª vez desde janeiro, mas média continua alta com 621 óbitos por dia

 

O estado de São Paulo registrou nesta semana queda na média diária de novas mortes por Covid-19 pela primeira vez desde janeiro. No entanto, os valores diários de novas mortes continuam em patamar muito elevado, bem acima do que havia sido registrado em 2020.

Nesta sexta-feira (23), a média móvel de mortes pela doença é de 621 por dia, valor 23% menor do que o registrado há 14 dias. Especialistas indicam tendência de queda na epidemia quando há variações maiores do que 15%.

A tendência de queda também já havia sido observada nesta quinta-feira (22), quando a média móvel de óbitos diários foi de 611, valor 18% menor do que o verificado há 14 dias. Antes disso, a última vez que o estado havia registrado queda na média móvel havia sido em 5 de janeiro.

Embora o governo de São Paulo tenha afirmado em coletiva de imprensa nesta sexta que o estado não tinha queda nas mortes desde fevereiro, as variações verificadas naquele mês foram dentro do que os especialistas consideram estabilidade, e não queda.

Apesar da melhora verificada nos últimos dias, o patamar de mais de 600 mortes diárias em média ainda é mais que o dobro do registrado no pior momento da epidemia em 2020, quando os registros não passavam de 280 por dia em média.

Nesta sexta-feira (23), foram confirmadas 863 novas mortes por Covid-19 no estado, elevando o total para 91.673 desde o início da pandemia. A marca de mais de 90 mil vidas perdidas foi alcançada na quarta-feira (21), pouco mais de um ano após a confirmação da primeira morte, em 12 de março de 2020.

Mesmo antes de terminar, o mês de abril já se tornou o mês mais letal de toda a pandemia no estado, superando o recorde anterior, de março de 2021. Foram 15.975 mortes do dia 1º até a quarta (21), contra 15.159 em todo o mês de março. Considerando os dados de quinta e sexta, o total de abril já subiu pra 17.021.

Nas últimas 24 horas, também foram confirmados 17.812 novos casos de coronavírus. Com isso, a média móvel é de 12.784 casos diários nesta sexta, o que representa uma queda de 22% em 14 dias.

O estado de São Paulo registrou ocupação de 81,1% nos leitos de UTI nesta sexta (23). Para especialistas, a taxa de ocupação acima de 80% indica que o estado segue com problemas no sistema de saúde.

O total de pacientes internados em São Paulo, seja na rede pública ou privada, é de 23.031 pessoas, sendo 10.826 em leitos de terapia intensiva e 12.205 em enfermaria.

Flexibilização da quarentena

Apesar dos recordes de abril, o governo de São Paulo avalia que os indicadores da Covid-19 tiveram “uma melhora significativa” , considerando especialmente a ocupação de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e o total de pacientes internados.

Por isso as restrições da quarentena estadual estão sendo flexibilizadas desde o último dia 12, quando acabou a fase emergencial, a mais rígida, e foi retomada a fase vermelha. Desde então, a fase vermelha também foi encerrada, e o governo anunciou uma nova etapa da quarentena, a chamada “fase de transição”, em vigor desde o último domingo (18).

Com esta última flexibilização, comércios e atividades religiosas puderam reabrir e outros serviços, como restaurantes, salões de beleza e academias, voltam a funcionar neste sábado (24). Os estabelecimentos podem atender com horário restrito e até 25% do público máximo.

Em nota, o governo estadual disse que “o número de óbitos registrados em abril está relacionado a casos e internações de março, ou seja, de três semanas atrás, no mínimo”, porque este seria o “tempo médio para uma internação se tornar um caso fatal”.

“Os óbitos não representam, isoladamente, o cenário atual da pandemia no estado, tampouco são parâmetro para atualização de restrições de atividades, pois o Plano São Paulo é multifatorial e leva em consideração também as internações e taxas de ocupação de leitos”, afirma a gestão João Doria (PSDB) em nota.

Mortos à espera de vagas

Mais de 555 pessoas com Covid-19 ou suspeita da doença não resistiram à espera por um leito de UTI e morreram desde o início de março no estado de São Paulo. O levantamento é do G1 e da TV Globo.

Os pacientes estavam cadastrados no sistema de regulação de transferências do estado, mas não resistiram até chegar a vaga, de acordo com a Secretaria da Saúde.