Guti anuncia que vetará autorização para uso de charretes

 

Em razão da forte polêmica causada pela aprovação pela Câmara Municipal de emenda do vereador Edmilson Souza (Psol) ao Código de Proteção Animal, que permitiria o uso de charretes em Guarulhos, o prefeito Guti anunciou em uma rede social que irá vetar a alteração.

A notícia da aprovação, com apenas três votos contrários, causou alvoroço entre protetores de animais, que, além de não aceitar os argumentos do proponente, postaram comentários acusando-o de estar atendendo a interesses de pequenos grupos, em detrimento da defesa dos animais.

O programa “Radar de Notícias”, na noite de segunda-feira, entrevistou a médica veterinária Daniela Souza, ligada aos grupos de protetores. Ela enumerou razões para que o projeto fosse vetado pelo prefeito. Entre outras, criticou o argumento de que o uso de charretes seria uma tradição na cidade e citou que há cidades que forneceram bicicletas a quem doasse cavalos, que teriam sido levados a santuários, nos quais pudessem viver sem maus tratos. Exibiu fotografias de cavalos submetidos a cansaço físico, na Festa de N. Sra. de Bonsucesso, como demonstração de que a fiscalização é falha e tolerante.

Na manhã desta terça-feira, foi a vez de Edmilson Souza expor suas razões no Radar. Explicou que o Código atual não proíbe que animais puxem charretes, mas apenas que haja alguém sobre a charrete, o que ele considera incoerente. Respondendo a perguntas do jornalista Pedro Notaro e de ouvintes e internautas, reafirmou seu posicionamento, dizendo que seria hipocrisia mudar por causa da pressão dos protetores. Explicou que muitos podem estar equivocados, por desconhecer o teor exato da legislação. Citou outras formas de uso de animais, com as quais os grupos de proteção parecem não se incomodar, como na Cavalaria da Polícia Militar. Apesar do reconhecido bom tratamento que ali recebem, não seria na atualidade uma necessidade. Mencionou como maus tratos as condições em que vivem leões no Zoológico Municipal. Ao apresentador, respondeu que o Código de Proteção permite que se possa cavalgar nas avenidas centrais da cidade, o que seria um contrassenso à proibição do uso de charretes, geralmente na área rural da cidade. Questionado se existe área rural em Guarulhos, afirmou que sim, em bairros que não são dotados de melhoramentos, nos quais a Prefeitura não pode emitir cobrança de IPTU. Nesses locais, famílias de chacareiros e donos de sítios, segundo ele, têm o hábito de utilizar charretes para passeios, o que ele não condena. “Não se pode confundir charretes com carroças. Charretes só transportam duas pessoas e não servem para carregar materiais pesados”, comentou. Quanto à suposta troca de cavalos por bicicletas, Souza argumentou que as pessoas que criam esses animais o fazem por apego e amor, sem interesse em trocá-los por qualquer bem. Acrescentou que o Dpan (Departamento de Proteção Animal) não tem estrutura para acolher os cavalos que fossem doados ao Município. Completou opinando não fazer sentido que a GCM (Guarda Civil Municipal) mantenha um canil, pois não vê os cães em ações de combate à criminalidade na cidade.

No período da tarde, a influenciadora e ativista pela causa animal Luísa Mell (na foto em destaque), que já vinha se manifestando nas redes sociais contra a flexibilização do Código, visitou o prefeito Guti para interceder em favor do veto ao projeto. Após atendê-la, Guti postou que não irá sancioná-lo. Caberá, então, aos vereadores decidir se acatam o veto ou se o derrubam, transformando-o em Lei.