domingo, 25 julho 2021
InícioDESTAQUEPazuello prometeu comprar Coronavac com preço três vezes maior

Pazuello prometeu comprar Coronavac com preço três vezes maior

O ex-ministro da Saúde general Eduardo Pazuello se comprometeu a assinar um contrato para aquisição de 30 milhões de doses da vacina chinesa Coronavac, do laboratório Sinovac, de intermediadores — e por quase o triplo do valor da mesma vacina ofertada pelo instituto brasileiro Butantan. Este imunizante é o mesmo alvo de tantos questionamentos e críticas por parte do presidente Jair Bolsonaro, que já chegou a afirmar que a “vacina chinesa de João Doria”, governador de São Paulo, não seria adquirida.

A informação veio à tona após reportagem da Folha de S. Paulo, que divulgou vídeo da reunião, no Ministério da Saúde, de Pazuello com empresários que buscavam vender o imunizante. O jornal Correio Braziliense também obteve o vídeo, e confirmou informações sobre o teor do encontro, que se deu em 11 de março. A comitiva, encabeçada por um empresário apresentado como John, ofertava o imunizante a US$ 28 por dose, quase três vezes o valor da Coronavac do Butantan (US$ 10). Segundo a Folha, ele representaria uma empresa chamada World Brands, de Santa Catarina.

“Estamos aqui reunidos no Ministério da Saúde recebendo uma comitiva enviada pelo John. Uma comitiva que veio tratar da possibilidade de nós comprarmos 30 milhões de doses, numa compra direta com o governo chinês, e já abre também uma nova possibilidade de termos mais doses. Já saímos daqui, hoje, com o memorando de entendimento assinado, e com o compromisso do Ministério de celebrar, no mais curto prazo, um contrato para podermos receber essas 30 milhões de doses no mais curto prazo possível, para atender a nossa população e conseguirmos controlar a pandemia que está tão grave no nosso país”, disse Pazuello no vídeo.

À CPI, questionado sobre o motivo pelo qual não tomou o protagonismo na negociação com a Pfizer, o militar disse que um ministro “jamais deve receber uma empresa”. “O ministro não pode receber as empresas, o ministro não pode fazer negociação com empresa. Eu recebo o presidente da Pfizer socialmente, junto com a administração, mas a negociação é feita no nível da equipe de negociação”, disse. A reunião ocorreu no gabinete do ex-secretário-executivo, coronel Élcio Franco. O Correio informa que apurou que Pazuello, que foi ministro durante o período mais importante de negociação de vacinas, chegou na reunião com atravessadores “muito motivado”.

O encontro terminou com a assinatura de uma carta de intenção, como anunciado pelo próprio ministro no vídeo. Depois disso, o governo chinês ainda encaminhou um posicionamento oficial de disponibilidade de cronograma, restando ao governo federal dar continuidade à compra. O assunto só não teria ido para a frente porque, com o agravamento da segunda onda de mortes por covid e a crise de falta de oxigênio em Manaus, a presença do general Pazuello à frente da pasta se tornou politicamente insustentável e o presidente da República foi obrigado a demitir o aliado, que, no entanto, continua no governo.

No vídeo, o empresário que se apresenta como porta-voz do grupo agradeceu. “Muito obrigada, ministro, pela oportunidade de nos receber também. Como empresário, eu acho que sempre nós pensamos no trabalho mas na contribuição social que podemos oferecer hoje. E junto, em parceria com tanta porta aberta que o ministro nos propôs, eu acredito que podemos fazer essa parceria por um longo e duradouro tempo, para vários outros produtos, inclusive, se necessário”, disse.

O governo atrasou a negociação de vacinas com diversos produtores, entre eles o Butantan. Em outubro do ano passado, Pazuello chegou a anunciar a compra de 46 milhões de doses do instituto paulista, mas o Ministério recuou depois que o presidente disse que os imunizantes não seriam adquiridos. O governo também ignorou diversas ofertas da Pfizer, e só assinou contrato no dia 8 de março, em meio a muita pressão, inclusive do Congresso.

A CPI já investiga ao menos outros dois casos suspeitos de negociação de vacina. Em um deles, o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) e o irmão dele, o funcionário do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda denunciaram um esquema de superfaturamento na compra da vacina indiana Covaxin, a US$ 15, e também, negociadores revelaram o suposto pedido de propina para a compra da vacina da Astrazeneca, também com atravessadores (dessa vez a empresa Davati), no valor de US$ 1 por dose para 20 milhões de unidades do produto.

*Com Informações do Correio Braziliense

- PUBLICIDADE -
- PUBLICIDADE -

SIGA/CURTA

28,891FãsCurtir
1,510SeguidoresSeguir
1,400SeguidoresSeguir
358InscritosInscrever

VEJA TAMBÉM

População reclama de falta de doses contra a gripe nas UBSs da cidade

Internautas têm questionado o portal Click Guarulhos sobre o calendário de vacinação contra a gripe no município. De acordo com algumas manifestações, as doses...

SP entrega mais 1,5 milhão de vacinas do Butantan ao Brasil

O vice-governador Rodrigo Garcia acompanhou na manhã desta quarta-feira (21) a entrega de mais 1,5 milhão de doses da vacina do Butantan contra o...

Corinthians anuncia Renato Augusto como novo reforço do clube

O bom filho a casa torna. O meio-campista Renato Augusto está de volta ao Corinthians. O clube anunciou nesta quinta-feira (22) a contratação do jogador de 33...

Prefeitura distribui kits de higiene e chinelos a crianças internadas no HMCA

A Prefeitura de Guarulhos entregou nesta segunda-feira (19) 32 kits de higiene pessoal com chinelos e máscaras descartáveis a jovens internados no Hospital Municipal da...

Covid-19: Metrô e CPTM têm oito pontos de vacinação em São Paulo

Desta segunda-feira (19) até a sexta-feira (23), o público de São Paulo vai contar com oito postos de vacinação contra a covid-19 funcionando em...