domingo, 26 setembro 2021
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Alunos criam app para melhorar experiência sensorial de surdos


Em busca de abrir as portas do mercado de mídia e entretenimento para pessoas com deficiência auditiva, um grupo de jovens da Escola de Inovadores desenvolveu o projeto Feel the Music (FTM). O aplicativo usa programação de inteligência artificial para fazer vibrar o aparelho celular no ritmo dos sons que estão sendo emitidos, em tempo real, e leva uma sensação palpável a quem não pode ouvir. O projeto, desenvolvido na edição do primeiro semestre de 2021, deu origem à startup Timbrasom e foi selecionado para a Vitrine Inova CPS.

A ideia surgiu em 2020, em um hackathon que tinha a proposta de encontrar soluções inovadoras para o mercado da música. Na competição, o Feel the Music (FTM) ficou em terceiro lugar. O time, então, inscreveu o projeto na edição do primeiro semestre de 2021 da Escola de Inovadores da agência Inova CPS, curso de extensão online e gratuito do Centro Paula Souza (CPS), que ensina os participantes a transformarem ideias inovadoras em startups. Orientados pela unidade de Ribeirão Preto, o FTM tomou, a partir daí, uma proporção ainda maior, com a possibilidade de ampliar a interação para além dos aplicativos de música.

Rafael Zinni Lopes, Ricardo Teruaki Fujikawa e Victor Dias de Oliveira estão à frente da startup e entenderam, durante o curso, a capacidade de abrangência da proposta. “Percebemos que o aplicativo poderia ser usado para levar acessibilidade não só para os apps de música, mas também para transmissões de streaming e canais de vídeos, como Netflix e YouTube. Muitos desses canais mantêm apenas legendas como forma de acessibilidade e temos conhecimento de que muitas pessoas com deficiência auditiva não sabem ler, então, não são devidamente incluídas nesse mercado”, explica Zinni.

Rafael conta que a solução está sendo desenvolvida com Interface de Programação de Aplicativos (APIs) em Python e React.JS. “Python está mais voltado para banco de dados e uma API que traduz o som de uma maneira diferente do React.JS, já o React é usado para trabalhar a interface que hoje se assemelha a um Ipod”, detalha.

A solução será liberada inicialmente para dispositivos com sistema Android. “Nosso interesse é que o app seja implementado em uma plataforma que tenha a maior abrangência possível para alcançar pessoas que não têm um bom poder aquisitivo”, conta Rafael.

O professor da Faculdade de Tecnologia do Estado (Fatec) Ribeirão Preto, Adriano Buzoli, um dos orientadores do time, explica que, ao iniciar o curso com a ideia já definida, o grupo pode trabalhar o desenvolvimento de outras etapas importantes da estruturação do negócio. “Começamos a trabalhar o Projeto Viável Mínimo (MVP), sanar dúvidas sobre a linguagem de programação, definir o público-alvo e, principalmente, focar no desenvolvimento do plano de negócios. Etapas que foram necessárias para estabelecer como o Feel the Music se transformaria em um app viável e interessante para as pessoas”, explica.

Além das mentorias e dos conteúdos estudados, o curso ofereceu aos alunos a oportunidade de contato com profissionais especialistas no mercado. “Criamos um elo com mentores voluntários focados em trabalhos com linguagem de programação, marketing e branding. Assim, os estudantes conseguiram tirar dúvidas, foram aprimorando novas versões do produto e puderam chegar ao modelo atual, que está muito próximo do que será lançado ao mercado”, explica Buzoli. “Trabalhamos muito também sobre a viabilidade economia, o posicionamento de marca do FTM e tivemos consultoria para a identidade visual. Esse estágio do projeto é crucial para as próximas etapas, como a Vitrine CPS.”

Vitrine Inova SP

O Feel The Music foi selecionado pela iniciativa que reúne os 50 melhores projetos da edição da Escola de Inovadores, a Vitrine Inova SP. As propostas escolhidas passam a ser conhecidas e avaliadas por mentores, investidores e possíveis parceiros. “Quando soubemos que fomos selecionados, ficamos literalmente em êxtase. O suporte de aprendizado da Vitrine será uma chance para que logo possamos enfrentar o mercado”, conta Rafael.

Os dez projetos mais bem avaliados nesta etapa participarão do Acelera Inova CPS e essa é uma das próximas metas da equipe. “Nosso objetivo a curto prazo é chegar no Acelera e com o aprendizado, escalar a startup para todo o Brasil. O protótipo rendeu resultados positivos nas entrevistas com a comunidade, então planejamos lançar o FTM na Play Store enquanto a Vitrine acontece”, diz Rafael.

“Também planejamos ter um site para que o público possa encontrar nossa solução e fomentar o networking com possíveis parceiros e influencers no negócio. A Escola de Inovadores foi um grande ponto de partida, o curso exponenciou nosso trabalho e somos muito gratos a tudo o que fizeram para nos ajudar nessa caminhada”, complementa o empreendedor.

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