InícioCANAISENTREVISTASO Convention & Visitors Bureau e o turismo em Guarulhos

O Convention & Visitors Bureau e o turismo em Guarulhos

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Por Valdir Carleto
Fotos: Elisvitrê Estúdio Fotográfico

Fale um pouco sobre quem é Danilo Duarte Ramalho e sua formação.

Sou nascido em Guarulhos, minha família é toda daqui. Sou formado em Turismo, pela Anhembi-Morumbi. Pós-graduado em Gestão do Conhecimento pelo Senac. Já atuei como empresário, tive restaurante e casa noturna, sou professor do curso de Turismo, da UNG, de Planejamento e Marketing, e faço orientação de TCC (Trabalho de Conclusão de Curso).
Qual sua função na direção do Guarulhos & Visitors Convention Bureau?
Eu sou o diretor executivo. Existe uma Diretoria e Presidência eleitas e eu sou contratado para realizar projetos e representar o Convention Bureau.

Há quanto tempo existe o Bureau, o que é esse organismo?

O Guarulhos Convention Visitors Bureau foi fundado em 2003. É uma associação mercadológica que tem por função desenvolver projetos para divulgar a cidade, captar eventos e visitantes, fazer promoção do destino Guarulhos.

Desde quando está à frente das atividades executivas da entidade?

Desde 2014.

Quais tipos de empresas fazem parte do GRU Convention Bureau?

Associados atualmente são apenas hotéis de redes instalados na cidade. Mas, nas atividades, como mapas e guias que produzimos, eventos que são promovidos, temos inúmeros parceiros, como restaurantes, espaços para shows, agências de publicidade e marketing, operadores de câmbio, locadoras…

Nesse tempo quais foram as principais realizações do GRU Convention?

A primeira atividade a que nos dedicamos assim que entrei foi na conservação de praças. O Placemaking consiste em dar utilização turística para praças da cidade. Foram várias intervenções para transformar espaços que estavam parados ou abandonados. Nós fizemos o primeiro evento de food truck de Guarulhos, na praça IV Centenário (atual praça Prefeito Paschoal Thomeu) e hoje várias organizações os promovem. Aprendemos que não basta fazer uma ação pontual, porque é preciso que o local tenha um uso contínuo. A segunda ação que destaco foi o Guia “100 lugares para conhecer em Guarulhos”. Foi um trabalho difícil, demorado, mas que trouxe bons frutos. Promovemos as primeiras Press Trip, uma ação para trazer jornalistas da área de Turismo para vir conhecer Guarulhos, saber mais do potencial, visitar lugares, produzir matérias sobre a cidade. Fizemos a GRU Experience, um “fam tour” voltado a jornalistas locais.

O guia está disponível em formato digital?

Sim. O guia “GRU 100 lugares” pode ser acessado em PDF em nosso site visitegru.com

Há atuação envolvendo pleitos a governos?

Não é perfil da entidade, pois há outras organizações que têm essa função, mas nos envolvemos em situações específicas. Por exemplo, no início da pandemia, mobilizamos o setor perante a Prefeitura para manter o setor aberto. Não havia motivo para fechar, pois a cidade precisava continuar recebendo pessoas. Tivemos forte atuação em prol do Fundo de Turismo e na questão envolvendo alíquota do ISS para o setor, quando se pretendia elevar em 200% o percentual. Após idas e vindas, aumentou 100%, de 2% para 4%.

Atividades recentes?

Produzimos uma série de 16 vídeos, o programa “Visite GRU”, que transforma o guia “GRU 100 lugares” em vídeo. Estamos concluindo um documentário, já filmado, e vamos em seguida manter presença nas redes sociais, que são uma boa aposta. Outra ação importante é a marca Guarulhos, que levou muito tempo para ser desenvolvida. Fizemos um concurso do Boulevard Guarulhos; em conjunto com a Prefeitura, Asseag, UNG, Sincomércio e Comtur, que restaurou o Marco Zero e, na parceria com o Detur (Departamento de Turismo), foram montadas as letras-caixa e instaladas em pontos estratégicos da cidade. Falta muito a fazer nesse sentido. Essa ação irá perdurar ainda por muitos anos.

Qual o objetivo de criar essa marca e ostentá-las nesses locais de grande visibilidade?

Todo destino tem de ter um “branding”, um posicionamento. A marca é ponto de partida para desenvolver todo tipo de comunicação e materiais. Designar cores, criar uma identidade para a cidade. Tudo que se fazia em Guarulhos levava as cores da bandeira. Decidimos que não precisava ser só assim. Tivemos a ousadia para criar um novo símbolo. Ouvimos historiadores, fizemos pesquisa, até chegar no conceito dessa marca, que foi criada pela agência Inspira Design, dirigida por Flávio Cantoni, parceira do GRU Convention que abraçou o projeto e lançamos a marca juntos. Fizemos um grande premier de lançamento no Hotel Marriot, com a participação de grandes empresas. Em 2020, a marca virou lei municipal (Lei 7855/2020). O Convention doou a marca para o Município de Guarulhos.

Em quais locais já foi colocada a marca?

No Bosque Maia, na alça do viaduto da entrada de Guarulhos, no Parque Cecap, no Zoológico (Jardim Rosa de França) e no calçadão da rua D. Pedro II.

Onde mais se cogita colocá-la?

Temos planos de colocá-la no Aeroporto, nos shoppings e em outros locais nos quais seja viável.

Como está a taxa média de ocupação dos hotéis de Guarulhos?

Tem estado na faixa de 71%, voltando a índices de 2019. Durante a pandemia, o setor sofreu muito, embora Guarulhos tenha sofrido menos do que São Paulo, porque conseguimos manter os hotéis abertos, pois foram enquadrados como atividade essencial. Chegou-se a cogitar fechá-los, mas argumentamos que pessoas continuaram a chegar à cidade, pilotos de aeronaves, pessoal de bordo, médicos… Essas pessoas precisavam ser acolhidas, hospedadas, naturalmente com todas as precauções. Apenas dois hotéis chegaram a interromper atividades, aproveitando para fazer reformas e implementar melhorias.

Estão sendo construídos novos hotéis e foi anunciada a implantação de um com 300 apartamentos no complexo do Aeroporto. Há demanda para tudo isso?

Embora a ocupação atual esteja alta, é preciso avaliar até que ponto haverá demanda se houver uma oferta excessiva. Não sei se houve o devido planejamento, mas isso demonstra confiança no potencial da cidade.

Talvez dependa de atitudes e atividades que possam incrementar a demanda…

Do ponto de vista da iniciativa privada, está tudo em ordem para a cidade continuar crescendo: temos bons shoppings, restaurantes, variedade de transportes… O que precisa haver são atrativos e melhor estrutura para segurar as pessoas aqui, pois estamos competindo com a maior metrópole, que é a cidade de São Paulo, e vários destinos no Estado.

A gastronomia de Guarulhos evoluiu muito. Já não há motivos para ir à Capital para comer bem. Há pesquisa que indique quanta gente de fora frequenta Guarulhos?

Alunos do curso de Turismo da UNG fizeram uma pesquisa na rua Tapajós em uma noite de sexta-feira, final do mês. Foram percorridos onze bares e se constatou que 31,6% tinham vindo de fora de Guarulhos. Mais de 30% é um índice relevante. Num sábado, há casas na rua Tapajós que chegam a receber 60% de público de fora. É verdade que a gastronomia local evoluiu e que isso está trazendo visitantes à cidade. O mercado está plenamente aquecido e mesmo havendo uma ou outra casa que fechou em Guarulhos, novos empreendimentos têm surgido e mostrando vigor.

Ainda há um certo preconceito de famílias de melhor poder aquisitivo que preferem gastar o dobro em São Paulo do que prestigiar o comércio local…

É verdade que São Paulo tem muito mais restaurantes, muito mais opções. Guarulhos ainda não tem um restaurante Triple A (conceito mais elevado de avaliação). Há a questão do status, de a pessoa tirar uma foto em determinado lugar e ostentar. Mas haveria de existir também a questão da consciência de procurar avaliar o que Guarulhos tem de bom. É provável que muitos que se deslocam para São Paulo para ir a um restaurante não experimentaram casas semelhantes em Guarulhos, que mereceriam ser prestigiadas. Se deixar de lado um olhar de preconceito, certamente encontrarão em Guarulhos ótimas churrascarias e estabelecimentos de excelente nível em outras especialidades.

Nesse sentido, qual a importância do Festival Degusta, que está sendo desenvolvido pelo GRU Convention?

É um festival que terá a participação de muitos restaurantes, que será realizado de 21 de setembro a 2 de outubro, com pratos a R$ 29, R$ 49 e R$ 69. As inscrições ficam abertas até 14 de agosto, no site visitegru.com/degusta. Será uma oportunidade para que os guarulhenses conheçam novos lugares, experimentem a criatividade de nossos chefs e a qualidade de nossos estabelecimentos. Uma chance, enfim, de eliminar o preconceito do qual falamos, escolhendo a faixa de preço que se esteja disposto a pagar. Estamos muito confiantes.

Quais os planos do Convention que podem ser divulgados?

Queremos que o Visite Gru seja uma plataforma completa. Sonhamos digitalizar o destino Guarulhos. Falta muita coisa para transformar em digital, que demanda muito trabalho e investimento. Queremos, por exemplo, ter um aplicativo de delivery local, que ainda está sendo configurado. Está sendo planejada uma feira permanente de artesanato para a praça Paschoal Thomeu, que para a grande maioria da população ainda é Quarto Centenário… Uma feira com padrão de qualidade Convention Bureau, com artesãos qualificados, tanto no que produzem quanto para atender o público.Isto ainda será colocado em prática neste ano. Os recursos virão do Fundo Municipal de Turismo.

Fale mais sobre esse Fundo…

Existe desde 2008 e nunca havíamos conseguido operar com ele. Neste ano, o governo municipal destinou R$ 32 mil para o Fundo e esperamos que nos próximos anos tenhamos mais recursos, pois o setor de turismo rendeu a Guarulhos R$ 75 milhões de ISS em 2019 e R$ 41 milhões em 2022.

O que não lhe foi perguntado que deseja acrescentar?

Guarulhos ainda não despertou para seu potencial turístico. Na medida que houver interesse da população em conhecer mais, há atrativos que merecem ser vistos, visitados. As excursões que o professor Elton Soares, a Aapah e o Sesc realizam, por exemplo, revelam lugares surpreendentes.
Só se ama o que se conhece. Precisaria haver um programa contínuo que ensinasse às crianças a história de Guarulhos, falasse dos lugares. Em termos de governança, falta colocar o Turismo como atividade estratégica, que pode ser uma alavanca de desenvolvimento importante, rendendo, além de divisas, o orgulho de ser guarulhense. Por ano, Guarulhos recebe mais de um milhão e duzentos mil turistas. Somos categoria B no Ministério do Turismo. É um destino relevante de promissor. com inteligência de mercado e ações assertivas, poderíamos já aumentar nosso faturamento só com essa demanda real. Às vezes, confesso, é frustrante não conseguirmos viabilizar mais ações. Contudo, a experiência nos tornou resilientes. Seguimos firmes em nosso propósito.

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