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Ecólogo fez alerta em 2022 sobre chuvas cada vez mais fortes no Sul

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Em junho de 2022, falando na Câmara de Vereadores de Pelotas, Marcelo Dutra da Silva, ecólogo, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, alertou para o aumento gradativo da força das chuvas na região. Ele fez um levantamento de indicadores de temperatura e precipitação ao longo de 50 anos (1971 a 2021), e constatou a elevação nesses padrões, que levaram a verões mais quentes e invernos menos intensos. Segundo ele, essa combinação somada ao avanço da área urbana contribuiu para as enchentes. Na opinião do professor, muitos problemas poderiam ser evitados se as Câmaras Municipais tivessem mais conhecimento e preocupação com as questões climáticas, ao aprovar projetos e definir parâmetros de atuação nas cidades.

Assista neste vídeo à fala dele, praticamente dois anos antes da tragédia: https://www.instagram.com/p/Cxi1Ml6gzaD.

 

“Percebemos que os gastos em recuperação de estragos são muito maiores do que o investimento em contextos para evitar que isso se repita. Não se tem considerado a necessidade de prever novos eventos, então as cidades não estão sendo preparadas para esses novos eventos e simplesmente se reproduz os erros sucessivos”, comentou o ecólogo em entrevista recente ao canal Ecoa, do UOL.

Brasil é o quarto país com mais desastres naturais

O professor Josué de Moraes, docente em Guarulhos, editou artigo publicado pela Associação de Ciências do Estado de São Paulo, de autoria de Maria de Fátima Andrade, professora titular do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo e membro do Conselho Diretor da Aciesp, a respeito do que está acontecendo no Rio Grande do Sul.

Analisemos o que ela apresenta:

O Rio Grande do Sul e o impacto dos eventos extremos

Todos nós brasileiros estamos mergulhados em tristeza e desesperança diante da catástrofe climática que assola o Rio Grande do Sul. Nós nos perguntamos como será possível a reconstrução de tantas cidades após uma devastação tão profunda e de que forma essa reconstrução ocorrerá. As pessoas anseiam por retornar e reconstruir suas vidas nos locais onde habitavam, mas será isso viável? E quais são as chances de eventos semelhantes ocorrerem novamente? Onde e com que frequência?

Na Figura 1 temos um gráfico do número de desastres naturais em diversos países durante o ano de 2023. Pode-se observar que o Brasil é o quarto país mais afetado, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, China e Índia.

Figura 1. Países com o maior número de desastres naturais em 2023. Dados extraídos do relatório do Centre for Research on the Epidemiology of Disasters (CRED).

Nos últimos anos, temos testemunhado um aumento alarmante na frequência de eventos climáticos extremos em todo o mundo, acarretando prejuízos econômicos e, acima de tudo, humanos. O relatório do IPCC de 2022 destaca as regiões mais suscetíveis às temperaturas extremas, inundações e deslizamentos, embora sua resolução não permita uma identificação detalhada das cidades e estados brasileiros. No entanto, projeções baseadas no aumento da temperatura, especialmente com aquecimento superior a 2,0 ºC, elaboradas por pesquisadores brasileiros liderados pelo Cemaden, revelaram que as áreas de maior risco estavam concentradas no Rio Grande do Sul, seguido por Santa Catarina1.

Não se pode negar os incessantes alertas científicos sobre os perigos decorrentes da falta de preservação ambiental, que não se limitam à redução das emissões de gases de efeito estufa, mas também incluem a preservação de áreas verdes urbanas, essenciais para a absorção de chuvas e a mitigação de temperaturas, bem como da fauna, que desempenha papel fundamental no equilíbrio e na manutenção dos ecossistemas florestais.

Embora muitas cidades brasileiras possuam planos de ação climática, estes, em geral, não são implementados devido aos interesses econômicos imediatistas, que frequentemente obstruem o planejamento de longo prazo. Em muitas localidades, os planos diretores negligenciam o investimento em transporte público e a preservação de áreas verdes. Ainda mais preocupante é a falta de preservação das nascentes dos rios e de suas áreas adjacentes.

Não se trata apenas do controle das emissões dos gases de efeito estufa, mas também da consideração de outras ações de prevenção e mitigação, especialmente nas cidades, onde mais de 85% da população brasileira residem, estando sujeitas aos riscos de inundações e secas.

Todas essas questões são fundamentais para mitigar os impactos das mudanças climáticas. Não podemos mais esperar que tragédias como essas assombrem o Brasil. É imperativo que tenhamos aprendido com essas experiências.

É crucial promover uma colaboração estreita entre cientistas e formuladores de políticas para reduzir os riscos e iniciar uma preparação direcionada a uma sociedade mais resiliente.

Referência

[1] Marengo JA, Camarinha PI, Alves LM, Diniz F and Betts RA. Extreme Rainfall and Hydro-Geo-Meteorological Disaster Risk in 1.5, 2.0, and 4.0°C Global Warming Scenarios: An Analysis for Brazil. Front Clim 2021; 3:610433. doi: 10.3389/fclim.2021.610433.

Ecólogo fez alerta há dois anos

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