Nesta segunda-feira, 23, os guarulhenses foram surpreendidos por uma ocupação de alunos na Escola Estadual Conselheiro Crispiniano. Os estudantes são contrários à reorganização proposta pelo governo para 2016, pela qual a instituição passa a ter funcionamento apenas para alunos do 5ª ao 9º ano. O caso teve repercussão, pois na ocasião, a diretora Ana Maria Baptista foi acusada por alunos de proferir agressão verbal e gestual no momento em que a manifestação ocorria.

Os deputados estaduais Alencar e Auriel e o vereador Marcelo Seminaldo, bem como a vereadora licenciada e secretária de Assistência Social, Genilda Bernardes, todos do PT, estiverem presentes na ocasião.

O Click publicou matéria ouvindo alunos (confira matéria clicando aqui) e foi procurar a diretora da escola para esclarecimentos. Seguem na íntegra as respostas enviadas via e-mail:

1)      Quem organizou as manifestações?

Todas as manifestações e ocupações de escolas públicas estaduais aparentemente são organizadas por professores membros da Apeoesp. Se comunicam dentro das próprias escolas com alunos não necessariamente que serão atingidos pela reorganização, distribuem panfletos e incitam o ódio em relação aos demais professores, gestores e funcionários

2)      Houve mesmo agressão verbal (xingamentos) e por gestos da sua parte?

Em nenhum momento xinguei ou desrespeitei ninguém. Pelo contrário, fui desrespeitada o tempo todo. Fiz gesto para membro da Apeoesp adulto que é sabedor do que faz; incitava os alunos por trás de toda a massa de gente que tentava invadir.

Na 4a feira, 18/11/2015, recebi uma denúncia de que professor da escola estava em conjunto com o movimento preparando “arrastão” nas escolas centrais e que teriam ações a partir de hoje.

Pouco antes das 7h de hoje, uma aluna da 2a série do EM foi vista colocando corrente e cadeado em um dos portões do colégio.

Pouco depois de fechados os portões da escola, havia rondando o prédio escolar aproximadamente 15 professores pertencentes ao Sindicato, acompanhados por uma diretora de escola estadual que também é diretora da Apeoesp.

Desde às 7h10 de hoje, tentei conversar com professores da escola que fazem parte do movimento e com poucos alunos que, munidos de megafone, se colocaram no pátio gritando “daqui não saio, daqui ninguém me tira”.

Um dos professores alegou não ter conhecimento do movimento dos alunos, mas afirmou que em “acontecendo alguma coisa”, ele não poderia fazer nada.

Atendi o representante dos estudantes, Sr. Wilson, que educadamente pediu que eu o deixasse falar com os alunos por alguns minutos. Instalamos a caixa de som e o microfone e a partir daí começou uma bagunça generalizada com manifestantes no portão, com alunos de outras escolas pulando o muro, com manifestantes subindo pelos portões. Nesse momento, a porta dos fundos do auditório foi arrombada e o alarme começou a tocar.

Os alunos do Ensino Fundamental que estavam na escola para aulas de violão e canto pelo programa Mais Educação começaram a tremer e entrar em pânico, à medida que os integrantes do movimento gritavam, me “mandando embora da escola”, pedindo as chaves da escola e ameaçando invadir dependências administrativas.

Nesse momento, verificamos que todos os portões da escola estavam trancados com correntes e cadeados e as chaves nas mãos de aluna.

3)      Quando começou o tumulto?

Por volta de 11h30, quando pedi aos alunos que se dirigissem para as salas de aula.

4)      O ciclo na escola realmente vai ser encerrado? Se sim, como será reposto?

Temos a Resolução 53 de 17/11/2011 que Dispõe sobre recesso escolar nas unidades em que o corpo discente está sendo impedido de entrar para participar de aulas.

Para ser considerado concluinte, o aluno do diurno deve ter cumprido 1200 horas de aulas e 200 dias letivos.

A escola tendo sido invadida e sendo considerada ocupada, uma vez que o funcionamento da escola está prejudicado, prorroga o tempo para cumprimento dos quesitos legais. Ou seja, o ano letivo só será encerrado após cumpridas as horas e dias letivos.

Não podemos calcular neste momento o tempo de prejuízo para o aluno.

5)      Houve alguém machucado?

Houve crianças de Ensino Fundamental dentro da escola impedidas de sair e outras impedidas de entrar.

Casais de pais desesperados procurando por seus filhos, sem encontrá-los

Funcionários desesperados tentando “salvar” equipamentos eletrônicos e documentos.

Professores temendo por seus carros no estacionamento da escola e pelos seus alunos que não podiam ir embora, pois havia correntes nos portões.

Eu saí socorrida da escola por uma amiga que veio de sua casa, tendo visto pelas redes sociais. Com o nervoso e a iminência de perigo aos alunos e professores, tive paralisia temporária nos membros inferiores e nas mãos.

6)      Foi uma manifestação pacífica?

Os integrantes do movimento tentaram fazer parecer pacífica a princípio (das 7h às 11h). Após isso, nada houve de pacífico. Foi um terror na escola.

Pacíficas foram as reuniões feitas com pais de alunos na semana de 9 a 13 de novembro, nas quais ninguém demonstrou desaprovar a medida de reorganização da SEE/SP

7) Observação

Em conversa com professor do movimento, o mesmo tinha garantido que não haveria “invasão, arrastão ou ocupação” no Conselheiro, uma vez que isso vem acontecendo apenas nas escolas que estão fadadas a fechamento por falta de demanda.

Disse inclusive que uma “ocupação” no Conselheiro demonstraria intenção de “baderna”.

 

Entenda a reorganização das escolas

A reorganização do ensino escolar irá afetar diretamente 94 escolas de todo o Estado de São Paulo, que serão ‘disponibilizadas’, e cujos prédiso continuarão a serem usados para outros fins educativos. Desse total, 66 já têm um novo uso definido, sendo que o uso gira em abrigar unidades de ensino técnico ou ainda virar creches e escolas municipais, por exemplo. As outras 28 ainda têm destino incerto.

Ao todo, a reorganização do ensino irá disponibilizar 1,8% das 5.147 escolas do estado. No total, 1.464 unidades estão envolvidas na reconfiguração, mudando o número de ciclos de ensino que serão oferecidos. Segundo a secretaria, 311 mil alunos devem mudar de escola do total de 3,8 milhões de matriculados. A mudança atingirá ainda 74 mil professores.

A reorganização irá separar a maioria das escolas em unidades de ensino fundamental 1, para crianças do 1º ao 5º ano; ensino fundamental 2, do 6º ao 9º ano; e ensino médio.

Em Guarulhos, seis escolas foram disponibilizadas.

 

 

 

Jônatas Ferreira