Via Dutra, na década de 1960

Por Validr Carleto
Fontes: divulgação

Para comemorar seus 50 anos de atividades, o Sindicato dos Comerciários de Guarulhos e Região editou, em 2014, um livro no qual foram registrados os atos que culminaram com a fundação da entidade, meses antes do golpe militar de 1964, bem como a trajetória e expansão do Sindicato nessas cinco décadas e, ainda, mostrados os primórdios da cidade, o início de sua atividade comercial e industrial. Para essa tarefa, o presidente Walter dos Santos recorreu aos préstimos do historiador Elton Soares de Oliveira e aos serviços de redação, revisão e editoração da Carleto Editorial.

No livro, Elton Soares conta que, durante os primeiros 300 anos da história das técnicas construtivas de Guarulhos, predominou a taipa de pilão e que, a partir de 1880, as construções de estilo colonial começaram a ser substituídas por técnicas construtivas utilizando tijolos cozidos.

O conjunto dos recursos naturais guarulhenses (argila, água, madeira, areia) e o sistema de escoamento da produção (inicialmente: hidrovia rio Tietê; posteriormente: trem da Cantareira e caminhões), além da proximidade com a cidade de São Paulo, foram determinantes para o volume da produção oleira.

De acordo com o professor Adolfo de Vasconcelos Noronha, em 1956, quando as olarias começaram a definhar-se, existiam 220 unidades, 40 portos extratores de areia e pedregulho, e também 1.200 estabelecimentos comerciais no município (Cidade Símbolo, 1960, p. 105). Conta-se que patrimônios como o Museu do Ipiranga, o Teatro Municipal e a Pinacoteca na cidade de São Paulo, foram construídos com tijolos das olarias guarulhenses.
Correspondente ao ciclo do tijolo cozido (1880-1960), verifica-se a chegada dos imigrantes estrangeiros e nacionais a Guarulhos: respectivamente, italianos, portugueses, espanhóis, alemães, libaneses, japoneses, nordestinos, mineiros, paulistas do interior, paranaenses e goianos, entre outros. Além das primeiras indústrias, a forma salário para remuneração da força de trabalho generalizou-se.

O ciclo industrial guarulhense começou a se formar no início do século XX, consolidando-se e estendendo-se aos dias atuais. Segundo estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2005), onde se instalam indústrias, concentram-se serviços e população. Além do próprio peso da atividade, a indústria agrega uma série de serviços em torno de si, o que faz crescer a economia local.

A primeira indústria a instalar-se em Guarulhos, na Vila Galvão, em 1911, foi a Cerâmica Paulista, também a primeira cerâmica mecanizada do Brasil (Kishi, Massami, 2005, p. 230). No início da formação industrial guarulhense, habitavam o município apenas sete mil pessoas.

Getúlio Vargas intensificou a industrialização do Brasil, alinhando a economia do País ao capitalismo industrial monopolista. Nesse sentido, foi planejada a diversificação econômica brasileira, sem deixar de lado a proteção aos cafeicultores, política agrário-exportadora.
A Prefeitura de Guarulhos, na gestão do prefeito Guilhermino Rodrigues de Lima, em 1937, procurou atrair empresas, isentando impostos. Em 1938, instalaram-se na cidade as duas primeiras fábricas multinacionais: Norton Meyer S. A. e a Harlo do Brasil Indústria e Comércio S. A., localizadas às margens da antiga estrada Geral e futura via Dutra. Em 1937, a professora Ernestina Del Buono Trama foi eleita a primeira vereadora de Guarulhos.

Em 1939, o Governo Federal, por meio do Plano Quinquenal, começou a fazer investimentos implantando uma usina de aço, uma fábrica de aviões, outra de motores e, também, na construção da Hidrelétrica de Paulo Afonso. Em Guarulhos, no bairro dos Pimentas, tem início a construção da fábrica de pólvora (Trotil). No bairro Cumbica, o Exército Brasileiro ocupa as dependências do Clube Paulista de Planadores, mesma localização onde viriam a ser inaugurados a Base Aérea em 1945 e o Aeroporto Internacional em 1985.

A localização geográfica da cidade no centro do triângulo: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro – macrorregião eleita para grandes investimentos do Governo Federal, a existência do maior aquífero de água subterrânea da Região Metropolitana de São Paulo – Aquífero Cumbica – situado nas várzeas dos rios Baquirivu Guaçu e Tietê, além da corrente de vento Sudeste-Noroeste, foram os fatores naturais facilitadores do processo de assentamentos de empresas em Guarulhos, bem como de outros equipamentos de logística industrial e militar.

No dia 30 de abril de 1940, a família Guinle, por meio de escritura, doou o terreno para a construção da Base Aérea. No dia 5 de novembro de 1945, como contrapartida, recebeu a aprovação da planta do Loteamento Industrial Cidade Satélite de Cumbica (Decreto Municipal nº 14). Em 1942 foi inaugurada a estação de trem Cumbica e no dia 26 de janeiro de 1945 a Base Aérea entrou em funcionamento. A nova planta de assentamentos industriais reconfigurou o cenário de instalações de empresas na cidade, do antigo ramal do trem da Cantareira, para o eixo Cumbica-Itapegica.

Na inauguração da sede, o presidente Walter dos Santos cumprimenta o presidente da Federação dos Empregados no Comércio, Antonio Pereira Magaldi, cujo nome foi dado a uma sala da sede própria.

A mudança de foco nos investimentos governamentais, de agroexportador para o modelo urbano-industrial se fez presente na cidade, também, com a chegada dos imigrantes nacionais. Contam os antigos moradores, imigrantes de origem estrangeira, que a obra de implantação da Base Aérea de Cumbica foi edificada, basicamente, por meio da força de trabalho das gentes do sertão brasileiro: baianos, mineiros, pernambucanos e paulistas do interior. Em 1980, auge da migração na cidade, dos 532.724 habitantes de Guarulhos, 71,3%, ou seja, 378 mil, eram originários dos processos da imigração nacional.

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Confira mais sobre essa história, contada pela Revista Guarulhos de dezembro de 2016: