Na Fiesp, ministro da Infraestrutura reafirma intenção de cobrar pedágio entre Guarulhos e São Paulo

Vista aérea do Viaduto Cidade de Guarulhos, sobre a Via Dutra, na altura do Macedo - Foto: Márcio Lino/PMG

Nesta quinta-feira (13/2), o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, sediou encontro entre o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, e prefeitos e empresários das regiões do Vale do Paraíba e Guarulhos. A pauta da reunião foi o modelo de concessão da rodovia Presidente Dutra (BR-116), uma das principais ligações rodoviárias do país.

Com o iminente vencimento do atual contrato de administração da rodovia, que possui 402 km de extensão e cruza 34 municípios da região Sudeste, Tarcísio e sua equipe propuseram um novo projeto de concessão que deve amparar a Rodovia Rio-Santos e inaugurar o modelo de free flow no Brasil.

O ministro usou grande parte de sua apresentação para justificar as propostas apresentadas e rebater as críticas feitas ao projeto, que foi concebido em parceria com o Banco Mundial. A uma plateia que encheu o auditório da Fiesp, o ministro explicou que incluir a Rodovia Rio-Santos foi a maneira encontrada pelo governo para garantir que a região fosse atendida por políticas públicas efetivas.

“Há necessidade de fazer investimentos na Rio-Santos, mas não temos condições”, admitiu o ministro. “O usuário da Dutra vai pagar pela Rio-Santos porque é a lógica distributiva. Uma concessão lá não fica de pé sozinha, e aquela é uma região que tem um enorme potencial turístico e econômico”, acrescentou Tarcísio.

Às críticas feitas à adoção do modelo de free flow e à cobrança de pedágio entre São Paulo e Guarulhos, o ministro foi incisivo: usuários que optarem pelas vias marginais da rodovia não arcarão com esse custo, e aqueles que escolherem a via expressa da BR-116 arcarão com tarifa menor, proporcional ao trecho percorrido. Independentemente do modal escolhido, a viagem de todos os usuários ficará mais curta.

“Queremos oferecer uma rodovia com excelente nível de serviço e conciliar isso com a tarifa, e para isso, temos de chegar a uma equação que maximize os resultados”, disse Tarcísio. “Quem optar pelo free flow vai pagar R$ 0,15 por quilômetro, ou seja, R$ 1,90 por todo o percurso, e vai levar apenas 18 minutos para chegar ao destino”, explicou Freitas.

O ministro informou que a duração do trajeto daqueles que optarem pela via marginal deverá cair para 15 minutos. “Hoje, o percurso entre Guarulhos e São Paulo é de 37 minutos. Com a implantação do free flow, esse tempo deverá cair para 22 minutos. Além de diminuir o tempo dos motoristas no tráfego entre as duas cidades, o investimento de R$ 32 bilhões na concessão da BR-116 prevê duplicações de vias, iluminação dos mais de 400 km da rodovia com lâmpadas de LED e a solução dos problemas de drenagem existentes na altura de Guarulhos”, comentou.

Apesar de estar certo sobre o sucesso do projeto, o ministro reconheceu a importância do envolvimento de autoridades e empresários locais no desenho do modelo de concessão e nos processos de tomada de decisão. Ele elogiou a oportunidade proporcionada pela Fiesp e se comprometeu a avaliar com cuidado as sugestões feitas por todos aqueles afetados pelo projeto.

“Eu agradeço a oportunidade que me foi aberta pelo Paulo Skaf e pela Fiesp. Ele me abriu a possibilidade de escutar os prefeitos, e isso é muito importante. O espírito é esse, estar sempre com a porta do ministério aberta. Adotamos sugestões valiosas que foram feitas durante a modelagem desse projeto. Hoje ele é melhor do que aquele que entrou na consulta pública e tenho certeza de que vamos incorporar muitas das preocupações que foram apresentadas aqui e trabalhar na construção de um modelo de altíssimo nível, que vai atender o setor produtivo e a população”, afirmou.