sábado, 27 novembro 2021
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Analisando a polêmica sobre o hospital de campanha do Anhembi

Em nome do bom Jornalismo, vamos procurar pôr os pingos nos “is” no que se refere à polêmica sobre o hospital de campanha instalado pela Prefeitura da Capital no Parque Anhembi.

Os deputados integrantes do grupo “Parlamentares em Defesa do Orçamento” efetuaram fiscalização no hospital de campanha do Parque Anhembi, na quinta-feira, dia 4/6. Compõem o PDO: Sargento Neri (Avante), Márcio Nakashima (PDT), Coronel Telhada (PP), Leticia Aguiar (PSL), Ed Thomas (PSB), Coronel Nishikawa (PSL), Adriana Borgo (Pros), Conte Lopes (PP) e Tenente Coimbra (PSL). Alguns deles têm atuado nos bastidores e na parte administrativa; outros têm sido a linha de frente, como Neri, Nakashima, Telhada, Letícia Aguiar e Adriana Borgo.

De início, do lado de fora do pavilhão, tiveram dificuldade de acesso. Enquanto estavam debatendo com os seguranças que estavam barrando a entrada, fizeram “lives”. Em uma delas, Márcio Nakashima, que é de Guarulhos, mostrou imagens que ele havia feito minutos antes, porque havia entrado pelo lado oposto e percorrido o pavilhão. Nessas imagens, apareciam vários corredores com camas vazias, sem colchões, em amplos espaços sem nenhum equipamento.

Depois, com a chegada de uma assessora de Imprensa da Iabas, organização social contratada para instalar e gerenciar a unidade, foram autorizados a percorrer as instalações.

Durante o percurso, várias transmissões ao vivo foram feitas e viralizaram nas redes sociais. Com base em alguns trechos enviados pela Assessoria de Márcio Nakashima e colhendo outras informações, o Click Guarulhos postou reportagem, citando que os deputados estavam denunciando que o hospital tinha alas vazias e estava mal-equipado.


https://www.clickguarulhos.com.br/2020/06/04/deputados-denunciam-que-hospital-de-campanha-do-anhembi-tem-varias-alas-vazias-e-esta-mal-equipado/

Cabe observar que quem viu apenas as lives transmitidas pelos deputados ouviu mais de uma vez a afirmação de que não havia ninguém sendo atendido no hospital de campanha. Nós, do Click, não noticiamos dessa forma, por termos acompanhado noticiário anterior que mostrava até filas de ambulâncias aguardando a vez de deixar pacientes para serem ali tratados.

Na manhã de sexta-feira, 5/6, o secretário de Saúde do município de São Paulo, Edson Aparecido, disse que prestaria queixa-crime contra os deputados, porque eles teriam “invadido” o hospital de campanha sem vestir equipamentos de proteção. Ele ou outra fonte da Prefeitura citou que havia 804 pacientes sendo atendidos e 55 aguardando internação; que já teriam passado por lá 3.700 pacientes, dos quais 2.800 teriam obtido alta. Vários veículos de comunicação abordaram o tema. Em coletiva, o prefeito Bruno Covas chegou a classificar a visita dos deputados e as transmissões feitas de “sensacionalismo barato”.

Assim que obtivemos informações sobre a versão do outro lado, na manhã de sexta, apressamo-nos em noticiar:

https://www.clickguarulhos.com.br/2020/06/05/prefeitura-de-sao-paulo-afirma-que-ha-804-pacientes-sendo-atendidos-no-anhembi/

E seguimos acompanhando a repercussão do fato. Concluímos que as autoridades municipais da Capital reavaliaram os números divulgados e passaram a afirmar que havia 397 pacientes sendo atendidos.

Alguns noticiários, como da TV Bandeirantes, mostraram a ação dos deputados como sendo uma “invasão”.

Como houve muitos internautas que reagiram negativamente ao que os parlamentares haviam feito, eles mesmos tomaram a iniciativa de atenuar as críticas, admitindo que haviam visto alas com pacientes, ainda que não na proporção informada pela Secretaria da Saúde. Segundo informações que colheram com funcionários, estavam sendo atendidos no momento da fiscalização 220 pessoas.

A agência de checagem de notícias Lupa, ligada à revista Piauí, analisou a questão e divulgou como fake news a informação de que o hospital de campanha do Anhembi estivesse vazio. Reproduzimos trecho da publicação e citamos a seguir o link para quem quiser checar na íntegra:
“O Hospital Municipal de Campanha do Anhembi não está vazio. A unidade de saúde contava com 407 pacientes internados em 4 de junho de 2020 – data em que foi gravado o vídeo –, segundo a edição 70 do Boletim Diário Covid-19 da prefeitura de São Paulo. O local esperava receber mais 55 pacientes naquele dia, transferidos de outros hospitais. Como funciona a portas fechadas, o Anhembi só atende pessoas enviadas por outras unidades com Covid-19, para evitar que esses lugares atinjam a sua lotação máxima. O hospital de campanha também registrava 2.816 altas acumuladas desde que começou a funcionar, em 11 de abril”.

A explicação plausível para a quantidade de leitos vazios é que o hospital de campanha foi montado como uma reserva, para a eventualidade de um aumento expressivo do número de casos, para o qual os hospitais não tivessem capacidade de atender. O espaço tem capacidade para 1.800 leitos. É um local para receber pacientes já considerados contaminados por covid-19, de baixa complexidade. Pacientes que têm situação agravada são transferidos para outros hospitais. Houve ao todo até agora, dez óbitos e tem havido média de 30 altas por dia, ultrapassando 1.500, apenas nas alas geridas pelo Iabas; segundo uma funcionária que atendeu os deputados. Segundo afirmou o prefeito Bruno Covas, estão contratados 887 leitos e só serão pagos os que forem efetivamente utilizados. Muito se cobra das autoridades que haja planejamento. Então, ter estrutura flexível para ampliar à medida do necessário parece ser medida salutar.

Em nossa opinião, os deputados têm todo o direito de fiscalizar e, aliás, é o seu dever. Porém, o tom com que o fizeram deixou claro nas falas de vários deles um viés acusatório e descuidado. Usar a expressão “está tudo vazio aqui” não condiz com a verdade, ainda que apenas cerca de um quarto dos leitos estivessem ocupados. Com exceção de Márcio Nakashima, que faz parte do PDT, partido que em nível nacional faz oposição a Bolsonaro, os demais integrantes do PDO são notoriamente favoráveis ao presidente da República e, assim, colocar-se contra o PSDB paulista atende ao interesse do Planalto.

Notou-se que muito da reação dos deputados deveu-se à cogitação levantada pelo prefeito da Capital e pelo governador João Dória de alugar leitos de hospitais privados. De fato, não parece razoável essa hipótese havendo todo aquele espaço disponível no Anhembi. Há de considerar, entretanto, que apenas móveis e equipamentos não são suficientes: são necessários recursos humanos preparados para atender os doentes.

A pergunta que cabe aqui, sem dúvida, é: Se, de repente, for necessário atender simultaneamente 887 pacientes, haverá equipes suficientes para tal? Parte do Anhembi está a carga da Iabas, organização investigada no Rio de Janeiro por hospitais de campanha que deveriam estar funcionando e não foram entregues. Outra parte está a cargo da SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina), que administrava o Hospital Pimentas-Bonsucesso e acumulava muitas críticas. Estarão as duas instituições aptas a atender a demanda para a qual foram contratadas pela prefeitura paulistana? No sábado, surgiram queixas de médicos e enfermeiros que ali estão atuando de que sequer há camas para que descansem nos intervalos entre plantões.

Louve-se a disposição dos deputados do PDO em fiscalizar a correta aplicação do dinheiro público. Mas, para que mantenham a credibilidade como grupo suprapartidário e não sejam chamados de sensacionalistas, é importante que sejam mais criteriosos com as palavras e menos afoitos ao divulgar imagens.

Um dos deputados classificou o hospital de campanha como um elefante branco. O episódio faz lembrar a história de um grupo de pessoas com olhos vendados que não conheciam um elefante. Cada uma pôs-se a apalpar uma parte do animal. Uma passou a mão na tromba e disse que o elefante era uma imensa linguíça; outra acariciou as costas e disse que um elefante é como uma montanha; a terceira apalpou a orelha e comentou que o elefante é uma grande ventarola. Diante da imensidão do Anhembi, tanto dá para mostrar que o hospital de campanha está cumprindo a missão de salvar vidas, quanto para mostrar que todo dinheiro aplicado ali está sendo jogado fora.


A verdade é que os dois grupos estão certos, cada qual em seu papel. Fiscalizar é imprescindível. Prestar contas também; então, governador e prefeito devem estar preparados para serem fiscalizados. Que prevaleça o bom senso.

Valdir Carleto

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