Último paciente do hospital de campanha teve alta

 

Um misto de felicidade, dever cumprido e muita emoção tomou conta da equipe médica do hospital de campanha do Centro de Combate ao Coronavírus de Guarulhos na tarde desta quarta-feira (2), quando teve alta do complexo o último paciente internado. E.S.G., de 63 anos, que deu entrada no local em estado grave há sete dias e foi direto para a UTI, deixou a unidade totalmente curado e com uma grande festa preparada pelos profissionais para celebrar mais uma vida salva dentre as mais de 600 que conseguiram se recuperar.

A comemoração marca também o encerramento das atividades do hospital de campanha, que permanecerá efetuando a triagem de pacientes com suspeita de Covid-19 até sexta-feira (4), quando será desativado.

O médico Fabiano Luz, especialista em terapia intensiva, clínica médica e radioterapia, que atuou como responsável técnico da UTI do Centro de Combate ao Coronavírus desde sua implantação, relata o índice de cura obtido na unidade: “De cada dez pacientes que ingressaram na UTI deste complexo, oito saíram vivos, enquanto que nos Estados Unidos aconteceu justamente o contrário no início da pandemia”.

O médico explicou ainda que a taxa média de cura dos demais hospitais de campanha é de 50% a 60% e que, estatisticamente, pelos parâmetros da OMS e demais instituições científicas, 80% dos infectados pela covid-19 são assintomáticos. Dos 20% restantes (sintomáticos), entre 2% a 4% são pacientes que evoluem com gravidade e apresentam risco de morte. Por isso, segundo ele, o impacto do hospital de campanha em Guarulhos é algo em torno de 800 a 1.600 vidas salvas, considerando que foram realizados mais de 40 mil atendimentos no local, incluindo as pessoas que passaram pela triagem e as que ficaram internadas.

“Hoje a sensação é de dever cumprido. O que vai ficar é a doce lembrança de um trabalho muito arriscado e também triste, por termos perdido pacientes que eram jovens. Saímos vivos, mas parte das nossas vidas ficará aqui, no sentido de termos ajudado muita gente e com muito carinho”, definiu o médico Fabiano Luz durante a alta de seu último paciente.

De acordo com o especialista, o sucesso do tratamento no hospital de campanha de Guarulhos se deve à coesão da equipe médica com a instituição de um protocolo de atendimento, que passou a ser adotado por todos os profissionais, desde a entrada do paciente até as intervenções nas enfermarias e UTIs. Baseado no tripé terapia imunossupressora com corticoide, anticoagulação e a junção de antibióticos e antivirais, o tratamento no Centro de Combate ao Coronavírus também contou com fisioterapia de qualidade e suporte com todas as drogas e sedativos necessários.

Da mesma forma que Fabiano Luz,  a médica Liliana Deucher Dutra, responsável por todo o complexo do Centro de Combate ao Coronavírus, disse que ficará com a certeza de um trabalho bem feito e dedicado. Emocionada com os agradecimentos da equipe e dos pacientes e questionada se considerava sua missão cumprida, a doutora Liliana respondeu: “Sem dúvida, tarefa cumprida e muita gratidão a Deus por ter-nos guiado nesta missão”.

Durante os cinco meses de funcionamento, o hospital de campanha de Guarulhos contabilizou mais de 800 internações de pacientes graves, pouco mais de 120 transferências, 89.500 exames (bioquímicos, ultrassom, tomografia computadorizada e raio X) e 86 óbitos.

foto: Diego Secco/ PMG

Dados desta quarta-feira



Dados da Vigilância Epidemiológica Municipal desta quarta-feira (02/09/2020), comparando com os números das duas semanas anteriores:

Casos confirmados – 21.767
No dia 26/8, eram 20.903: diferença de 864, média diária 123,43
No dia 19/8, eram 18.925: diferença de 1.978, média diária 282,57

Total de óbitos – 1.264 confirmados e seis em investigação
No dia 26/8, eram 1.232: diferença de 32 óbitos; média diária 4,57
No dia 19/8, eram 1.158: diferença de 74; média diária 10,57

Total de recuperados – 20.041
No dia 26/8, eram 19.194: diferença de 847; média diária 121
No dia 19/8, eram 17.287: diferença de 1.907, média diária 272,43

Outros dados desta quarta-feira, 2/9

Taxa de cura – 92%

Taxa de letalidade – 5,80% 

Taxa de ocupação de leitos de UTI: 47,3%

Taxa de ocupação de leitos de enfermaria: 41,8%