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Simone, que foi candidata a prefeita, fala dos desafios dos papéis sociais da vida real

Fazendo uma retrospectiva do processo de me candidatar à Prefeitura de Guarulhos nas eleições de 2020, percebo o quanto cresci e amadureci, seja na atuação política ou na vida pessoal. Muitas pessoas souberam que sou mãe, atriz, professora, pesquisadora e que trabalho na Prefeitura. Várias delas estavam acostumadas a me chamar por filha do Valdir, irmã do Fábio, ex-esposa do Edmilson.

Enfim, um sem número de vezes eu ouvi na vida que minha personalidade, atuação política e profissional era x ou y, por conta de atribuírem a mim referências e imagens pelas quais não poderia me responsabilizar. Impotente na maior parte das vezes, tive dificuldade em construir uma expressão própria, apesar de toda construção que (quem me conhece sabe) fiz durante toda a minha trajetória, trabalhando e estudando.

E desempenhar a função de candidata a prefeita me fez mobilizar muitos conteúdos internos e a história de toda a minha vida. Estaria exposta aos afetos de todo tipo, e em uma disputa que não te poupa, nem um pouquinho: contexto pandêmico, primeira vez como candidata, em uma cidade que nunca teve uma prefeita eleita pelo povo.

Para começo de conversa, e de campanha, eu deveria ampliar o espectro do meu conhecimento sobre a cidade, com dados e informações precisas, para além dos meus assuntos de atuação cotidiana, que são a educação e o teatro. Medidas mitigadoras, mobilidade urbana, esportes: esses e outros temas foram meu foco de aprendizagem no período e, como não poderia deixar de ser, construí, junto com pessoas que estavam na coordenação da minha campanha – todos militantes voluntários, ninguém contratado – diálogos com especialistas e ativistas que entendem e vivem os assuntos. Não deu outra: nosso programa de governo, coordenado por Valter Fontes, sem sombra de dúvidas (e sem modéstia), é o mais completo e radical (de ir à raiz das coisas) apresentado nesse processo eleitoral. Felizmente, onde nossa campanha, que era simples e com pouquíssimos recursos chegou, encantou, mobilizou e fez com que chegássemos a 9.319 votos. Dobramos a votação do partido na cidade e elegemos o primeiro vereador pela sigla.

Conseguimos isso por termos dialogado nas periferias, nos movimentos sociais, falando de socialismo de forma simples, relacionado à realidade das pessoas e ligado a tudo que se vive nos chãos da cidade. Eu dizia que ao trabalhar em escola, que é meu caso, ou posto de saúde, que são os únicos equipamentos públicos mais presentes nos bairros, desenvolvemos o contato com os problemas diários das pessoas. E que esses são enfrentados prioritariamente por mulheres, que ainda são maioria quando se fala em cuidados com a família.

As pessoas me elogiaram muito pela gama de assuntos que consegui abarcar com propriedade, e os pontos altos foram as sabatinas e os debates na Associação Comercial e Empresarial de Guarulhos, UOL-Bandeirantes, OAB – Guarulhos; e as entrevistas em diversos programas na cidade, como Radar de Notícias – Pedro Notaro; Tribuna Livre – Roberto Samuel; GruDiário – Eurico Cruz; GuarulhosWeb – Paulo Manso; Click Guarulhos – Valdir Carleto; Folha Metropolitana; Voz de Guarulhos – Rodrigo Souza; Câmara Esportiva – Ulisses Pinto; De cara com Douglas Nobre; GuarulhosOnline – Marcela Vasconcelos; Canal Participo – Danilo Martins; Guardiã da Notícia – Gabrielle Tricanico, entre outros. A todos agradeço imensamente pelas oportunidades.

Pude falar por mim, representando o partido (PSOL), mas me colocar verdadeiramente sobre o que penso e faço no mundo, como sujeita da história.

Sempre que perguntavam do meu pai, de posicionamento político, eu afirmava ter orgulho e gratidão por tudo que aprendi com ele. E afirmava também o quanto minha mãe, Elisabetta, foi fundamental à cidade de Guarulhos. Ela coordenou a implantação da única escola comunitária com as características que tinha a “Nossa Escola do Clube de Mães”, no Parque Cecap.

Como podem imaginar, sofri preconceitos de toda ordem e origem. Por esse motivo, tenho me dedicado a pontuar e combater as violências às quais nós mulheres estamos submetidas, sendo uma delas a violência política. Trata-se de comportamento advindo de homens e mulheres que desqualificam discursos femininos por serem vozes de mulheres, atribuem a elas rótulos e impõem barreiras.

E desde o dia seguinte ao término do primeiro turno, estou de volta ao trabalho como diretora de escola, cargo para o qual sou concursada. Editarei os livros de minhas pesquisas pedagógicas e teatrais, e continuarei ministrando aulas com o CAC – Walmor Chagas, da Cia. Teatro da Cidade, em São José dos Campos, além de ministrar aulas com meu grande mestre e orientador, Alexandre Mate, no curso de pós-graduação da Unesp.

Nesse trajeto, tive também muito apoio, afeto, compreensão e reconhecimento, motivo pelo qual saio fortalecida, com o olhar crítico mais apurado para os problemas e soluções para a cidade. E sim, faria tudo novamente se preciso fosse. Entramos para o imaginário da cidade como uma possibilidade viável de futuro, e essa conquista simbólica considero muito significativa no tempo em que vivemos, no qual é fundamental propor alternativas, de forma criativa e inovadora.

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