segunda-feira, 18 outubro 2021
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Cabeça é o novo presidente do Sindicato dos Metalúrgicos

Josinaldo José de Barros, o popular Cabeça, assumiu em 24 de julho a presidência do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Guarulhos, Mairiporã, Arujá e Santa Isabel. Ele falou à RG sobre sua experiência, dificuldades da categoria e perspectivas que tem para o mandato de quatro anos.

Há quanto tempo é metalúrgico?

Há 34 anos. Durante 24 anos, fui funcionário da Borlem. Antes, estive na Camargo Corrêa e Thamco; Nos últimos três anos estou na Rod-Car, uma empresa que fabrica carrinhos de supermercados, em Cumbica.

E no Sindicato?

Estou há 20 anos, cinco mandatos.

Quais cargos já exerceu na entidade?

Fui conselheiro suplente, depois primeiro secretário e cumpri três mandatos como vice-presidente, a partir de 2009.

Teve outras experiências além do Sindicato dos Metalúrgicos?

Atuei no Dieese – Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos por nove anos, tendo sido seu presidente por um ano.

Apesar de ter feito parte das gestões anteriores, planeja fazer algo diferente em seu mandato?

Minha meta é que a PLR (Participação nos Lucros e Resultados) se transforme em uma espécie de 14º. Salário para nossa categoria, algo com o qual o trabalhador possa contar, até como um incentivo a que se dedique e busque se aprimorar, pois para ele será positivo que a empresa tenha bom resultado. No âmbito político, entendo que é importante aproximar a categoria dos debates, discutir com as bases como promover a representação política. E ouvir os trabalhadores sobre as decisões, para ter seu apoio nos projetos que o Sindicato encampar.

Qual o maior obstáculo que imagina ter de enfrentar?

Um desafio que tem sido permanente é a renovação das convenções coletivas. O setor patronal  dividiu-se para dificultar que a categoria consiga aprovar novas convenções. Por isso, temos agora 10 convenções em vigor. Já teve um setor de atividade que conseguiu que não fosse renovada a convenção.

Por que tantas convenções coletivas?

Porque o Sindicato representa diversas subcategorias, como autopeças, cabos e fios, fundição, siderurgia, funilaria e pintura, retífica de motores. Temos segmentos com apenas 2 mil ou 3 mil trabalhadores.

No tempo da inflação galopante, categorias profissionais faziam greves por diferenças significativas na época de discutir reajustes. Quando a inflação – pelo menos pelos índices oficiais – é menor do que dois dígitos, compensa brigar por 1% ou 2%?

Não tem havido mais greves por discordância de índice de reajuste. As que ocorrem costumam ser pelo direito à PLR. É muito mais importante para as famílias dos trabalhadores. Mas, vale ressaltar que o trabalhador não briga quando se renova a Convenção Coletiva. que sobrepõe a CLT. Se renovou garantindo todos os direitos, o 1% torna-se irrisório.

Qual o tamanho da categoria dos metalúrgicos atualmente? 

Até 1990, tínhamos 92 mil trabalhadores na base que representamos. Com o governo Collor, que abriu o mercado brasileiro, a globalização, a automação, a modernização dos meios de produção fizeram reduzir a categoria para 38 mil. De 2002 a 2014, nos governos de Lula e no primeiro mandato de Dilma, chegamos a 58 mil. Depois, a categoria entrou novamente em declínio, tendo atingido o patamar de 42 mil. Com o andar da carruagem do governo Bolsonaro, calculamos que no fim da gestão dele tenhamos apenas 38 mil novamente. Importante registrar que não só no governo dele, mas tem havido crescente desindustrialização, graças à Reforma Trabalhista, que precarizou o trabalho dos metalúrgicos.

A terceirização não afeta apenas atividades-meio?

Não. Na mão de obra específica pode não atingir, mas acabam arrumando formas de terceirizar funções nas áreas de manutenção, ferramentaria, engenharia, eletricidade, administração, recursos humanos, compras, marketing.

A tal “pejotização” também existe no meio metalúrgico?

A corda arrebenta do lado mais fraco e muitos se sentem forçados a aceitar ser contratados como PJ (pessoa jurídica). Também acontece enfraquecimento da base sindical na contratação de temporários.

O que prejudica mais a categoria: a automação ou a importação?

A importação, sem dúvida. A terceirização, por mais nociva que seja, tem de cumprir algumas regras. Já na importação, não se sabe como, mas a China, por exemplo, consegue custos de produção reduzidíssimos, o que asfixia muitas empresas brasileiras, que acabam encolhendo e até fechando, provocando desemprego.

O fim da obrigatoriedade do pagamento da Contribuição Sindical reduziu muito a arrecadação dos sindicatos. Como a entidade sobrevive?

De fato, com a Reforma Trabalhista não pode descontar se o trabalhador se manifestar contra e a grande maioria opta por não pagar. Mas ainda há quem autorize expressamente o desconto, por entender a importância do Sindicato para defender os interesses coletivos. E temos a mensalidade dos associados, que é espontânea: só se associa quem quer.

Além da defesa da categoria nos embates com o setor patronal, o que o Sindicato faz para atrair associados?

Oferecemos um extenso leque de serviços, como, por exemplo, clube de campo aqui mesmo em Guarulhos, no Parque Primavera, e Colônia de Férias em Caraguatatuba; o Departamento Jurídico, com o qual o trabalhador sabe que pode contar… Temos convênios com faculdades e com a escola Databrasil, de ensino técnico. Oferecemos médico do trabalho para dar assistência em doenças ocupacionais. Temos salão de cabeleireiros aqui na sede.

Atendimento odontológico também?

Tínhamos. Mas, com a Reforma Trabalhista, não foi possível manter. Temos apenas convênios com clínicas, para proporcionar descontos.

O que pode acrescentar como sendo seus planos à frente do Sindicato por quatro anos?

Eu falo muito sobre política, porque a política rege nossa vida. Entendo que o Sindicato tem de se envolver em lutas que aparentemente nada têm a ver com a categoria, mas que são lutas de toda a população. Por exemplo, temos nos posicionado contra o fechamento da Proguaru; defendemos a coleta de assinaturas para que haja um referendo popular contra a extinção da empresa. Queremos que a taxa do lixo que o prefeito quer implantar seja muito discutida com a população: os vereadores têm de debater muito, encontrar uma fórmula justa, pois a proposta original é cruel com os mais humildes. No âmbito do governo federal, é preciso valorizar a democracia, pois só ela garante equilíbrio social. A sociedade tem de estar vigilante em favor da democracia e na luta pela manutenção dos direitos sociais. νν

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